quarta-feira, 9 de março de 2016

Carta para Tomaz


Hoje eu estava aqui com meus botões pensando nas coisas que eu queria que Tomaz sempre soubesse. Nessa hora, me deu uma vontade gigante de escrever sobre elas, deixando registrado para que ele possa ler quando conseguir ou precisar...

Meu filho,
Como ser humano eu tenho, em muitos momentos, visões diferentes sobre a vida. Tenho certeza que a pedagogia (profissão a qual terei sempre gratidão) me ajudou a aprender que os seres humanos valem mais que as coisas e que felicidade de verdade é aprender algo novo sempre na vida.
É por isso que, como mãe, eu fico me esforçando para te educar sempre de maneira justa e generosa, te levando a perceber que mais vale ter amigos do que ter dinheiro; que mais importa ser generoso do que bem sucedido e que sentir empatia pelos outros é muito mais importante do que ser poliglota. 
Não importa o que você queira fazer na vida. Importa, de verdade, se você reconhece a grandeza de suas escolhas, se você respeita as pessoas que se relacionam contigo (e as que não também) e se você trata os seres humanos e animais de forma justa e respeitosa, marcando positivamente aqueles que cruzaram tua existência nessa terra.  
Por isso, tem algumas coisas que eu preciso que tu saibas, para que possas viver tua humanidade de forma sublime e amorosa.

1-           Você foi muito desejado, esperado e amado! Em todos os dias da minha vida continua sendo desejado e amado, mesmo quando eu estou cansada, estressada ou com TPM. Te digo isso para que possas refletir que as outras pessoas precisam, também, sentir este amor enorme que recebes, através de palavras de gestos e atitudes mesmo quando elas pouco merecem.

2-           A minha vida, sem você, não tem a mínima razão de ser! É você quem dá sentido a tudo, sem exagero. Isso não significa dizer que permitirei que faças tudo do teu jeito, mas que estarei sempre ao teu lado, aplaudindo teus acertos e redirecionando teu caminhar em teus erros.


3-           Eu quero que você seja feliz! Mas também quero que seja justo, ético, generoso e amigo. Por isso, nos momentos em que eu não conseguir que seja tudo isso junto, batalharei mais pelas virtudes do que pela felicidade, já que a primeira é condição e a segunda é estado.

4-           Não tenha nunca receio de ser quem você é. Continuarei amando você independentemente de suas escolhas. Saiba, também, que não precisas me agradar o tempo inteiro. Você é um ser humano gerado por mim e não a minha extensão. Eu preciso, sempre, reconhecer e respeitar tua singularidade e você precisa evidenciar seus limites.

5-           Nunca ache que dinheiro e felicidade são sinônimos. Há pessoas que vivem mergulhadas na tristeza de suas fortunas, enquanto outras são felizes apenas porque o sol brilhou na janela. Você poderá decidir como quer viver.

6-           Honestidade é um valor sem tamanho e marca a forma como os outros te enxergam. Nada vale se empobrecer perante os olhares alheios nem, tampouco, perante si mesmo.

7-           Eu quero muito que sejas polido com as pessoas, cumprimentando-as e sendo cordial. Mas eu quero, ainda mais, que esta beleza que se vê por fora em sua cordialidade seja marca do que trazes dentro de si, de modo que reconheças que um “obrigado” é a ilustração da gratidão, um “por favor” é a representação do respeito e um “eu te entendo” simboliza a empatia. Nunca esqueça, meu filho, as virtudes são maiores que a polidez. Um bom dia sem respeito não é valor.

8-           Desejo a você, meu filho, que sejas generoso para que possas olhar o mundo além de teu próprio umbigo. Penso na generosidade no sentido defendido por Comte-Sponville quando destaca que ser “generoso é ser livre de si, de suas pequenas covardias, de suas pequenas posses, de suas pequenas cóleras, de seus pequenos ciúmes”. Por isso, desejo que sejas maior do que você mesmo, para olhar as outras pessoas com olhos de reconhecimento e valor. Ao olhar para elas assim, certamente, olhará para si também reconhecendo que o mundo vai além de nós mesmos.

9-           Desejo, ainda, que nunca duvides do amor tamanho que tenho por você, sabendo que somos uma família e, por isso, podemos ficar tristes um com o outro, com raiva um do outro, chateado ou alegre um com o outro, mas não podemos, nunca, duvidar do amor que nos une.  

10-        E por fim, queria que soubesse que a única coisa que espero de ti é um coração puro e misericordioso. E que eu estou, nesta vida, aprendendo contigo sobre as virtudes, para que eu possa, junto a ti, desenvolvê-las.

Te amo sem limites!

Mamãe



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Festa Infantil Os Vingadores: 04 anos do TOM


Eu amo festa de aniversário! As do Tom, então, nem se fala! Acho que a vida tem que ser comemorada com alegria, família reunida e amigos queridos ao nosso lado. Justo por isso, não abro mão de festejar cada idade nova de meu pequeno, tentando realizar os sonhos dele (que se tornam meus ao longo da preparação).
Este ano o tema escolhido pelo Tom foi Vingadores. Como ainda acho que ele é muito pequeno – 4 anos – adotei como design para a festa a imagem dos vingadores criança (em alguns lugares chamam de Vingadores Cute ou Vingadores bebê), achando que isso deixaria a festa mais infantil, adequada a idade dele. O resultado ficou muito legal e eu adorei.


Por isso, neste post eu tenho o objetivo de compartilhar os detalhes da festa, ajudando outras mamãe  que, como eu, adoram fuçar a internet em busca de detalhes para deixar o dia D dos nossos filhos ainda mais especial.
A casa de festa escolhida para este ano foi a Villa 17, antiga Jungle Kids casarão. Foi a mesma casa onde realizamos o 2º aninho do meu filho e as expectativas foram amplamente atendidas. Como o horário da festa foi pela manhã (11h às 15h), escolhemos o cardápio Jungle Premium que além dos doces e salgados serve, também, alguns empratados (mine feijoada, risoto, creme de galinha, entre outros). Não nos arrependemos, pois foi muito bem servido e estava tudo muito gostoso e quentinho, além de bastante diversificado.






A decoração ficou a cargo da Vovó do Tom e da Madrinha dele, com a minha humilde ajuda, já que não sou muito habilidosa para atividades manuais. Os móveis provençais foram alugados na própria casa de festa, e eu fiz questão que eles fossem lisos, já que não gosto muito dos móveis com detalhes vazados ou com estrelas. Os suportes da mesa foram locados na Loc Decore, onde encontrei um preço muito bom e uma diversidade bastante interessante para composição.





Como este ano o orçamento estava apertado (o que virou quase que uma coisa generalizada na atual crise econômica brasileira), decidimos colocar a cuca para funcionar e criamos um monte de coisa legal. Começando pelos centros de mesa eu queria uma coisa legal e de custo baixo. Assim, decidimos fazer umas bombas de isopor pintadas de preto (com tinta própria para isopor), dando a ideia de que era uma bomba prestes a explodir! Para evitar que ficasse rolando sobre a mesa, fixamos ela em um CD, também pintado de preto, fazendo com que ela ficasse fixa e no local que desejávamos. 
Para evitar que ela voasse, já que isopor é bastante leve, colocamos uma bolinha de argila no interior da bola (esse tamanho de bola é vazado e vem dividido em duas partes, o que facilita colocar o peso). O acabamento foi feito com uma tampinha de Coca-Cola Zero, que já é preta e nos fez pintar apenas a parte superior. Além disso, na tampinha fizemos um furo e colocamos uma cordinha para fazer a bomba. Ao redor dela passamos uma fita adesiva prateada e fixamos uma tag com o nome do meu pequeno impressa em uma gráfica qualquer. Ficou bem legal!


Uma das coisas que eu mais gostei foram as bombinhas de batom garoto utilizadas na decoração da mesa principal. Para elas usamos papel cartão vermelho (que usamos para cobrir um trio de batons Garoto), fita crepe preta, que usei para fixar o papel cartão nas duas bases, e no meio colocamos uma tag com uma onomatopéia que eu mandei fazer numa gráfica qualquer. O charme ficou para o espiral que colocamos dando o efeito da bomba. Este espiral é aquele simples mesmo que usamos em encadernação e vende em livrarias.



Outra coisa muito legal foi o brigadeiro de colher do Hulck. Para fazê-los nós compramos o copinho incolor e desenhamos o rostinho do Hulck com aquelas canetas que escrevem em transparência, pois não borra nem apaga. Em seguida, colocamos o brigadeiro feito com anilina verde. Dando o acabamento colocamos raspas de chocolate para fazer o efeito do cabelinho do hulk. Ficou um charme só!





Outro sucesso foram as pílulas da força. Imprimi a arte numa gráfica e colei em Tic-Tacs dos coloridos, que deu um efeito ainda mais interessante do que os Tic-Tacs de uma cor só. Esse foi muito prático e saiu bem barato.
Na lateral da mesa, nós colocamos dois bolos feitos em casa, muito mais gostosos do que aquelas lindos de pasta americana. Decidi que serviria esse ano essa delícia, pois não há que resista a um bolinho caseiro. Para dar cara de festa, cobrimos o bolo com Marshmallow colorido e colacamos uns Topers lindos, encomendados a Bone Fête. Super valeu a pena e deu um visual incrível.




Outra coisa que é linda de morrer e que todo ano fazemos nos aniversários do Tom é o trio de brigadeiro. Para ele fizemos brigadeiro branco e escolhemos três cores de granulado para cobri-los. Como este ano eram os Vingadores, fiz nas cores do Capitão América: Azul, Vermelho e Branco.  O procedimento é muito fácil: enrolamos três brigadeiros, um de cada cor e colocamos os três num palitinho de pirulito. No fundo do copinho, para não deixar o trio solto, colocamos um pouquinho de brigadeiro molinho (na cor de sua preferência) e, sobre ele, colocamos o trio de brigadeiro. Na pontinha do palito, para dar um charme, pode ser colocado um lacinho de fita.  




Uma coisa muito prática de ser feita e que dá um visual também muito interessante são as trouxinhas de sonho de valsa feitas com páginas de revistinha. É só comprar a revistinha de super herói, cortar do tamanho ideal e embalar o sonho de valsa. Fica lindo!





 O bolo e doces personalizados foram feitos por Malu Bolos Personalizados e estão sempre presentes nas festas do meu pequeno. A modelagem dela é perfeita e encanta adultos e crianças em todos os temas. 



    










As sacolinhas foram bem simples, daquelas coloridas que vendem no centro da cidade. Como queria que mesmo as coisas simples tivessem um ar mais bem cuidado, inseri umas tags que mandei fazer no Ateliê do Scrap e que ficaram lindas demais! Super amei!





O Ateliê do Scrap também foi responsável pelos pirulitos personalizados - SUPER TOM FAZ 4 - e pelos Totens da mesa que ficaram lindo de morrer! Pensem num trabalho delicado e cheio de detalhes, vendido por um preço bastante justo. 




O Divertimento ficou a cargo da Turma de Super Heróis da Heróis Kids. Gente, eu super indico o trabalho deles cheio de cuidado e profissionalismo. A imagem do Tom com o Capitão América na foto abaixo fala por si só.










Alguns Contatos Úteis: 

- Heróis Kids - 996671202
- Loc Decore - 971046006
- Ateliê do Scrap - 995725062
- Malu Bolos Decorados - 30127995
- Bonne Fête - 30718798




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Ler e escrever no tempo certo

Quase que diariamente me encontro com pessoas que me dizem: Seu filho já lê e escreve? Acho essa pergunta muito engraçada, porque, não sei por qual razão, as pessoas acham que o fato de eu ser pedagoga fará meu pequeno escolarizar-se de forma mais aligeirada do que o comum.
- Não, ele ainda não lê nem escreve! – eu respondo com tranqüilidade.
- Nada? Nem o nome dele? - Prosseguem perguntando!
- Não, nada! Falo com cara de quem já deseja encerrar a conversa.
Neste momento percebo a expressão de desapontamento da pessoa que pergunta e seu olhar dúbio: será que o filho dela tem dificuldade ou será que ela não consegue nem alfabetizar o próprio filho?
Bem, me recuso a prosseguir nesse diálogo, porque meu filho não sofre nenhum tipo de pressão para que antecipe fases de seu desenvolvimento. Faço isso porque respeito, sobretudo, o fato dele ser uma criança de apenas três anos e, além disso, ter a sorte de entender como se procede a aquisição da língua materna.
Como sei que muitas mães se angustiam em relação a isso e terminam pressionando suas crianças justo pela falta de informação sobre o assunto, decidi aqui escrever algumas reflexões que sustentam a minha ideia de que não devo aligeirar o processo de alfabetização do Tom e que ele aprenderá a ler e escrever na hora certa, sem crises.

1.    A alfabetização é um processo contínuo que demanda a participação ativa das crianças na formulação e reformulação de hipóteses acerca da linguagem escrita. Para isso, a criança passa por uma sucessiva superação de fases, que precisam ser conquistadas em sua completude (isso demanda, inclusive, maturidade psíquico e biológica.)
2.    A maioria das crianças não está, do ponto de vista do desenvolvimento, pronta para ler e escrever antes dos seis anos. Infelizmente, muitas escolas e famílias terminam obrigando os pequenos, através de práticas inadequadas de leitura e escrita.
3.    Isso porque, para uma criança consiga ler e escrever de forma tranquila ela necessita de um nível elevado de desenvolvimento da capacidade simbólica, o que não é comum em idades muito precoces. 
4.    Não há nenhuma evidência científica que justifique os ganhos a longo prazo de aprender a ler e escrever antes dos cinco anos.
5.    Nas melhores escolas do mundo, as finlandesas, por exemplo (estas são 1º lugar em educação mundial segundo o PISA), as crianças brincam e não perdem tempo aprendendo a ler e escrever.
6.    Pesquisas neuropsicológicas evidenciam que as atividades lúdicas levam ao incremento de sinapses, particularmente no córtex frontal, região cerebral responsável por todas as funções humanas mentais superiores. Por isso, deve-se brincar muito antes de aprender a ler e escrever.
7.    Vivências de letramento e que favorecem a reflexão em torno do sistema de escrita alfabética ajudam a preparar as crianças para se tornarem leitores fluentes no futuro, ao contrário de práticas de treinamento e transmissão de letras e palavras que pouco contribuem para uma leitura autônoma.  
8.    Antecipar a alfabetização prejudica o desenvolvimento infantil justo numa fase em que a criança deveria estar sendo estimulada a conviver, a desenvolver habilidades pessoais e interpessoais que lhes serão úteis na vida.
9.    Além disso, antecipar a alfabetização também embota a criatividade e a capacidade inventiva da criança.
10. Uma pesquisa realizada na Nova Zelândia comparou grupos de crianças que começaram a alfabetização formal nas idades de 5 a 7. Os resultados evidenciam que a introdução precoce da alfabetização é prejudicial, pois,  aos 11 anos, observou-se que as crianças que começaram a ler aos 5 anos desenvolveram atitudes menos positivas frente a atividades de leitura e mostraram uma capacidade de compreensão de texto mais empobrecida do que aquelas que começaram atividades de alfabetização posteriormente.
11. Crianças muito novas obtiveram piores resultados na Provinha Brasil (avaliação formal do Ministério da Educação) do que aquelas com idade mais adequada ao 2º ano do Ensino Fundamental.
12. Os estudos psicogenéticos já evidenciaram que a aquisição da escrita acontece quando a criança, desafiada pelas atividades e pelas intervenções do professor, investiga, testa ideias, repensa, corrige suas representações sobre a escrita, diferente do que ocorre com os métodos tradicionais de alfabetização, baseados na cópia de famílias silábicas nos quais a criança é receptora e pouco ativa diante do objeto de conhecimento.
13. Para apropriar-se do Sistema de Escrita Alfabética a criança precisa perceber suas regularidades, observando a quantidade de letras, as disposições delas, a combinação dos sons. Isso não ocorre por transmissão.  

Bem, acho que estas ponderações já são justificativas suficientes. Se mesmo assim as pessoas continuarem me perguntando por que meu filho não escreveu o nome dele aos dois anos, não escreveu palavras aos três e nem escreverá textos aos quatro, eu lamentarei muito.


Me restará, então, continuar permitindo que Tomaz brinque e reflita sobre a escrita através de práticas de leitura e escrita lúdicas e espontâneas. Não tenho dúvidas de que ele, que participa de atos de leitura (eu conto histórias para ele) e escrita (mostro para ele que “aquilo” dos livros e da vida são palavras) desde sempre, através de atividades que o fazem pensar e compreender a escrita em sua função social (e não de forma artificial como a transmissão de famílias silábicas), no final dessa etapa estará apto a dar passos mais ousados em seus papéis de leitor e escritor. Quando isso acontecer, estarei sempre na primeira fila de seus recitais (mesmo que seja apenas a leitura de uma lista) para aplaudi-lo dizendo: você conseguiu! Que bom que foi no seu tempo! 

domingo, 20 de setembro de 2015

Lições do Pequeno Príncipe para uma adulta mãe: o filme.



Ontem à tarde, fomos ao cinema eu, Tom, o pai dele e um amiguinho que meu pequeno convidou para ir junto conosco. A escolha do dia foi O PEQUENO PRÍNCIPE, uma história cujo livro é admirado por mim desde a infância e que eu queria muito que meu filho pudesse começar a conhecer.
Como a maioria das pessoas, o que mais me impressiona na obra literária é a profundidade e leveza com que coisas tão lindas são ditas. Eu jamais me esquecerei, durante toda a minha vida, das frases tradicionais que li no livro e que me acompanham durante todos os momentos: “o essencial é invisível aos olhos”; “só se vê bem com os olhos do coração”; “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”; “a gente só conhece bem as coisas que cativou” e tantas outras que me ensinam, sem dúvida, a ser uma pessoa melhor (ou ao menos tentar).
Fui ao cinema permeada pelo mais ambivalente dos sentimentos: expectativa e insegurança. Isso porque toda vez que um livro é traduzido para as telonas chovem críticas que afirmam: o livro é muito superior! Assim, decidi embotar a expectativa e me aventurar a, durante a sessão, me deixar cativar. Pensei: mesmo que não valha tanto a pena, alguma coisa eu ei de apreciar e logo lembrei da frase do Pequeno Príncipe: “é preciso que eu suporte duas ou três larvas se eu quiser conhecer as borboletas!”
Entretanto, a borboleta me apareceu logo que sentei na poltrona, de modo que desde a primeira cena a fotografia me impressionou, a trilha sonora me sensibilizou e a delicadeza das falas das personagens me emocionaram tanto que, muitas vezes, foi impossível segurar as lágrimas. Nessa hora, lembrei da raposa e pensei: “ a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar” e percebi que eu estava completamente apaixonada por este filme, cada vez mais.


A obra é leve e profunda. Não é uma tradução pura e simples da obra de Saint-Exupéry, mas uma imersão da sua poética na história de uma garotinha, cuja mãe é uma controladora obsessiva que possui como meta de vida a sua aprovação na melhor escola da cidade.
Para isso, a mãe embota a infância da menina, controlando, a todo momento, todos os passos e ações da garota: estudar, ler, fazer exercício, comer... Tudo minimamente programado. A mãe esquece, apenas, de que do outro lado, aquele ser, que mais parece um robô, é uma criança que já tem sentimentos e que precisa ser feliz.
Diálogos como “você será uma grande pessoa quando crescer, minha filha!” são muito comuns nas trocas entre mãe e filha e evidenciam uma concepção materna muito clara: a mãe percebe a  filha como um projeto para seus sonhos pessoais, não como uma criança que sente, pensa e vive.


A infância, de verdade, começa a se evidenciar quando a garotinha faz amizade com o aviador que lhe apresenta o texto do pequeno príncipe de modo despretensioso, sem obrigações nem, tampouco, aplicabilidade.
A menininha, que até então só lia o que servia para sua aprovação na famosa escola, começa a imaginar, a viajar pelo mundo da fantasia bem característico às crianças, fazendo-a descobrir o que, de verdade, é importante ao mundo e a nós mesmos. 
O filme fala de infância, mas fala, sobretudo, da efemeridade das relações, de como nós, os adultos, valorizamos coisas secundárias, subjugando o que essencial e invisível aos olhos sem reconhecer que há coisas que são inacessíveis ao dinheiro.
Ah, para mim, essa foi uma das partes mais marcantes do filme. Em uma das cenas mais lindas, o Pequeno Príncipe se encontra com o homem de negócios que contava as estrelas do céu, julgando-se dono delas. Quanto mais estrelas contava, mais rico se sentia. Apoderara-se das estrelas que jamais tinham sido reivindicadas. Sua fortuna brilhava no céu, impalpável, como a ilusão de todas as riquezas do mundo e, percebendo isso, o principezinho lhe pergunta: o que fazes tu dessas estrelas?
- O que faço delas?
-Sim.
-Nada. Eu as possuo.
- Tu possuis as estrelas?
- Sim.
- Mas eu já vi um rei que...
- Os reis não possuem. Eles “reinam” sobre. É muito diferente.
- E de que te serve possuir as estrelas?
- Serve-me para ser rico.
- E para que te serves ser rico?
- Para comprar outras estrelas, se alguém achar.
(...)
- Basta isso? - E prosseguiu – Tu não podes colher as estrelas.
- Não, mas posso colocá-las no banco.
- Só isto?
- E basta...
- É divertido - pensou o principezinho. Eu possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo um vulcão que revolvo toda semana, porque eu revolvo também o que está extinto. A gente nunca sabe. É útil para os meus vulcões, e útil para minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil às estrelas.
O homem de negócios abriu a boca, mas não achou nada a responder.  Desiludido com a ganância do homem, o principezinho seguiu a sua jornada, mas não sem antes nos tocar profundamente e nos fazer refletir sobre como temos “colecionado estrelas” que em nada iluminam nossos dias. Como temos deixado pouco tempo para a convivência com os filhos, com os amigos, com aqueles que amamos, desprezando o ensinamento de “que foi o tempo que dedicastes a tua rosa que fez dela importante”.


Não pude sair do filme sem estar profundamente mexida... sem olhar para meu filho pensando o quanto tenho necessidade dele, pois “ele é, para mim, único no mundo e eu serei, sempre, para ele única também”, e mesmo que um dia nós já não estejamos juntos (infelizmente as mães não são para sempre), eu espero que ele tenha aprendido que basta que ele fique contente por ter me conhecido, e que ao lembrar de mim, ele perceba que passamos toda a nossa vida nos cativando e, justo por isso, estaremos sempre juntos, mesmo que não nos vejamos mais, porque “o essencial é invisível aos olhos”.

Resultado de imagem para o filme do pequeno príncipe

Filme lindo e emocionante, muito mais apreciado por mim do que pelo Tom, que ainda não entende o que significam aquelas palavras, mas já sente o quão grande é o amor que elas traduzem. Sai do cinema, realmente, cativada. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A babá dependência e os modelos educativos no Brasil

No último mês viajamos de férias: eu, Tom o pai dele e mais os padrinhos, os tios e a avó materna. O objetivo da viagem foi comemorar o primeiro aninho do priminho dele, Samuel, que mora na terra da rainha.
Além de participarmos da festinha, aproveitamos para passear em várias cidades inglesas, onde visitamos o Parque da Pepa para que o Tom pudesse ver um lugar infantil inteiramente dedicado a porquinha mais famosa dos últimos tempos.
Em todos os lugares que fomos, desde os mais infantis (como o parque citado), até lugares bem adultos (como as universidades em Cambridge), observamos pais e crianças que passeavam com tranquilidade, aproveitando a companhia uns dos outros.
Justo por isso, me chamou atenção que em nenhum lugar nós observamos babás acompanhando as famílias, o que permitia ver a naturalidade com que os adultos cuidavam dos filhos de forma tão espontânea e rotineira. A tranqüilidade com que todos conduziam as crianças era tão natural que não soava o martírio que, muitas vezes, me transparece nas famílias brasileiras que ficam desesperadas quando precisam levar os filhos a um parque.
Aqui no Brasil estamos exagerando na necessidade de ter, sempre, alguém que faça por nós aquilo que cansa, mas que deve ser motivo de prazer para os pais. Tem sempre babá, folguista, folguista da folguista, e os pais quase nunca se aventuram a trocar uma fralda, correr atrás dos filhos em um parque, dar a comida, banho e tantas coisas que fazem parte da rotina de quem tem filho pequeno.
A babá dependência está tão forte que fui fechar o quarto aninho do Tom em um Buffet infantil e tive que dizer quantos adultos, crianças e babás seriam convidados para que fosse finalizado o orçamento do evento. Vejam, as babás são tão presentes que os buffets já reconhecem a sua participação nas festas infantis como certa, tendo que cobrar por isso também (apesar de que eu acho que deveriam ser tratadas como qualquer adulto, pois é isso que são de verdade).
Sei que algumas mães têm muitos filhos, ou tem criança que demanda necessidade especial que requer mais atenção. Mas tem sido muito comum ver nos parques um pai, uma mãe e uma babá, compondo três adultos para olhar apenas uma criança que brinca, como todas as outras e, por isso, cansa muito os pais no corre-corre da infância.
Isso não é possível! Não podemos, em nome de um cansaço, abrir mão de conviver com as crianças, usufruindo tudo o que elas fazem: correr, comer, tomar banho, etc. Não podemos abrir mão de estar junto e orientar quando preciso. Uma babá, por mais boa vontade que tenha, nunca conseguirá transmitir os valores da família de forma clara nem educar conforme os pais legitimam. Mais do que isso, quando nos afastamos dos cuidados necessários aos pequenos, delegando sempre a terceiros a responsabilidade com isso, fragilizamos a construção de vínculos sólidos entre pais e filhos, pois estas tarefas significam doação – questão necessária no processo de vinculação.
A educação dos filhos é responsabilidade nossa. E ela se torna necessária, justamente, quando eles estão vivos na brincadeira, quando eles estão bravos na hora do banho, quando eles estão birrentos no momento do almoço quando eles estão sendo crianças. Somos nós que devemos educá-los e se abrirmos mão disso, esvaziamos a relação entre pais e crianças.
Não quero dizer, com isso, que ninguém possa contar com a ajuda de alguém na educação da criança. Estou dizendo, apenas, que não podemos ter babás 24 horas por dia em sete dias da semana. Hoje as babás têm que dormir, tem que ter substituta no sábado, no domingo, nos feriados. O problema reside aí. A tarefa materna/paterna não é gerencial, mas de colocar a mão na massa por obrigação e por prazer de cuidar daqueles que amamos acima de tudo.
Se gostamos de ser mãe ou pai apenas quando as crianças dormem, há algo errado nisso e nós precisamos rever a relação afetiva que temos construído nesse processo maternal/paternal.
Ser pai ou mãe é cansativo, mas é necessário e prazeroso... os filhos crescem e logo, logo não precisarão mais de nós nos cuidados básicos... e o mais cruel disso tudo é que o tempo não volta. Por isso, vamos dar folga as babás nos finais de semana... vamos assumir os cuidados com os filhos enquanto eles precisam.
Vamos cuidar dessa relação da maneira que podemos, para que os nossos filhos reconheçam que, da forma como é possível, estamos nos doando nessa relação.      

  

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quem precisa de um filho genial?


Hoje estava fuçando o facebook quando vi um post do querido Francisco Alexandrino sobre o livro abaixo.


Imediatamente o título da obra me chamou atenção, acendendo em mim a luz vermelha de preocupação: minha nossa, só me faltava essa! Estou até vendo mães e pais consumidos pelo desejo de educarem filhos gênios, aplicando letra por letra da leitura do livro. Estou até vendo – como conseqüência – crianças sofrendo pelas pressões paternas e maternas, sem conseguirem atender as expectativas de seus pais. E por fim, vejo pais frustrados, crianças deprimidas, e nenhum gênio que tenha sido treinado para isso através desta magnífica obra.
Minha nossa, um livro dessa natureza é um risco a saúde social. Isso porque leva pais e mães a colocarem a saúde mental de seus filhos em risco, motivados pela possibilidade de sucesso: meta geral nesta sociedade pós-moderna, cujos valores capitalistas são tão presentes.
O pior é que esta obra não é uma publicação isolada. Apenas numa busca rápida pela internet achei mais de dez livros cujas propostas são as mesmas das defendidas no livro aqui apresentado: orientar pais a educarem filhos para serem gênios. Não é possível que isso esteja acontecendo e nós, pedagogos, pais e mães estejamos indiferentes a isso.
É preciso que questionemos esta realidade, a partir de algumas reflexões. A primeira delas é: qual a importância de que nossos filhos sejam gênios? Será que é porque acreditamos que sendo eles demasiadamente inteligentes garantimos que terão sucesso financeiro, quase como se isso fosse uma equação exata?
Ledo engano! Dias desses li um estudo longitudinal, feito por pesquisadores norte americanos, cujo acompanhamento de crianças com alto, médio e baixo desempenho permitiu afirmar: não são as pessoas com maiores notas na escola que garantem o sucesso profissional, mas a existência de projetos claros de vida. Isso quer dizer que mais vale saber aonde se quer chegar do que ter 10 em todas as disciplinas do boletim escolar.
Segundo, é possível transformar nossos filhos em gênios? Para esta, a resposta é negativa. E, ainda mais, ela é um risco, porque a vida de uma criança cuja meta paterna é transformá-la em gênio vira um verdadeiro martírio: ela ouve Mozart desde o nascimento, porque os pais ouviram que música clássica potencializa a inteligência; ela faz inglês antes de aprender a falar sua língua materna; faz aula de reforço antes de aprender a escrever seu próprio nome, freqüenta teatro, cinema, exposição e tudo mais que possa fortalecer seu repertório cultural, transformando o entretenimento sempre em possibilidade de desenvolvimento... A criança gênio em potencial faz tudo... só não faz o que ela poderia fazer para crescer saudável e feliz: ser criança.
Não estamos nos dando conta de que estamos vivendo num mundo tão competitivo que nos leva a adotar uma posição de competição incluindo a criança nisso. É preciso que reconheçamos que cada criança é única, possuindo um ritmo de aprendizado próprio, adequando aos seus níveis de desenvolvimento. Não adianta querer que uma criança faça equações aos oitos anos, porque ela não tem condições cognitivas para isso.
Na tentativa de educarmos gênios estamos, na verdade, pulando fases e enlouquecendo as escolas que, cada vez mais, se vêem obrigadas a alfabetizar as crianças com quatro ou cinco de anos de idade, alimentando o ego dos pais que poderão dizer nas festinhas infantis: meu filho lê e escreve aos cinco anos.
Gente, isso é um absurdo, pois o sistema nervoso da criança ainda não está maturado para esse tipo de atividade e forçá-la a realizar tarefas para as quais ainda não está pronta pode levar a criança a apresentar dificuldades de aprendizagem um pouco mais tarde.
Essa geração de gênios é a mesma geração da depressão infantil, das crianças com distúrbios do sono, com alterações alimentares, com fobias e tantos outros transtornos psicológicos que até pouco tempo era “privilégio” do mundo adulto. Isso não é coincidência.
Estamos, como pais, tão preocupados com o futuro dos filhos que acabamos transmitindo para eles nossas expectativas. Enquanto as crianças de antes fantasiavam sobre o futuro imaginando se seriam astronauta ou estrela de cinema, as crianças educadas para serem gênios imaginam, cada vez mais cedo, quantos carros terão na garagem ou quantas viagens vão fazer ao exterior. A preocupação desta geração que forma gênios está sempre ligada à riqueza material.
Não podemos fazer nossos filhos acreditarem que dinheiro é o único sinal de sucesso e que a obtenção desse sucesso virá através de boas notas. Corremos o risco de estressar nossos filhos e, ainda mais, inibi-los na busca do que realmente importa na vida: a busca pela felicidade.
É por isso que eu penso que não precisamos de filhos geniais, mais de filhos que enxerguem em nós o suporte emocional que precisam para se desenvolver saudável e feliz.