domingo, 2 de junho de 2013

Coisas que eu não posso esquecer nº 1




Amo ser mãe e tudo o que meu Tom faz eu não quero e não posso esquecer. Entretanto, algumas de suas ações ocupam lugar especial nesse pódio do que eu desejo que fique gravado até a eternidade.
O post de hoje é sobre uma coisinha feita pelo gordinho que eu JAMAIS quero esquecer. Estes dias meu pequeno grande amor começou a demonstrar de forma autônoma que será um leitor (Para nossa alegria aqui em casa). Nossa que felicidade indescritível!!! A moda do gordinho agora é ir ao seu quarto, onde há prateleiras acessíveis a ele, buscar um livro para que qualquer adulto que está em casa leia para ele.
Como ainda não fala quase nada, Tom nos comunica o desejo da leitura entregando-nos o exemplar escolhido por ele e, em seguida, nos dá os braços para que o coloquemos em nosso colo e lhe contemos a história escolhida.
É lindo demais vê-lo decidir que quer escutar história e encontrar formas de comunicar isso. É lindo demais vê-lo se interessar pelo texto lido, pelas ilustrações vistas, pelo objeto chamado livro. É lindo demais ver que todas as histórias contadas para ele, ainda em meu ventre, estão sendo fundamentais para o desenvolvimento do meu filho. 


Tenho clareza que isso é fruto da cultura literária que criamos aqui em casa. Os livros fazem parte da rotina do Tom e estão à sua disposição. Não há reclamação quando ele rasga uma página nem quando amassa uma folha porque ainda não sabe manipular com destreza. O importante é que ele tenha contato e que, a sua forma, consiga explorar as leituras que desejar.
Além disso, não tem essa de agora não ou de dizer para ele que daqui a pouco nos contamos. Quando o pequeno deseja ouvir histórias nos o contamos, pois não dá para achar que uma criança se tornará leitora sem que os adultos da casa leiam para ela muita história.
O Rubem Alves, educador dos que mais admiro, nos diz que para despertar o prazer de ler na criança é preciso contar histórias, visto que “tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a história. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. A criança volta-se para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está a ler”. (ALVES, 2004)     
Aqui em casa estão todos empenhando na formação leitora do Tom. Vovó, titia, titio, priminhas, papai, mamãe... tá todo mundo contado histórias para o Tom. Basta que ele se aproxime de nós com um livro na mão para que qualquer um da família comece a contar o que está na livro. Esse final de semana, pelas minhas contas, já li 137 vezes Chapeuzinho Vermelho.
O melhor de tudo é que não há cansaço para isso!!!! Pode me pedir sempre que quiser, meu amor!!!! A mamãe estará sempre a sua disposição como intermediária entre você e as histórias que moram nos livros.  

Rubem Alves, Gaiolas ou Asas – A arte do voo ou a busca da alegria de aprender. Porto, Edições Asa, 2004

  

domingo, 19 de maio de 2013

1, 2, 3 e já!!!



Desde muito novinho meu pequeno Tom balbucia muitos sons. Justamente por isso achei que ele falaria cedo, já que o silêncio foi algo que ele tratou de acabar ainda bem cedo, quando não sabia, se quer, dar alguns passinhos de quatro pés.

Acontece que isso não aconteceu, porque aqui em casa tudo é ao tempo do Tom e as coisas acontecem apenas quando ele está maduro e preparado para fazê-las. Não gosto de muito treino, de ficar enchendo a cabeça da criança para que ela, parecendo um robô, faça aquilo que queremos.

Coisas do tipo: “o neto de minha amiga já faz isso”; “o filho da prima da vizinha de uma conhecida já faz aquilo outro” não tem muito espaço aqui em casa e eu detesto que venham criar expectativas em cima de meu filho, já que ele tem o tempo dele, o jeito dele e a forma dele lidar com o mundo.

Afirmar isso não é dizer que ele não é estimulado. Isso de forma alguma! Acompanho o desenvolvimento do Tom e faço o possível para que ele conquiste oportunamente os marcos de seu desenvolvimento. Oportunizo, não treino! Acompanho, não determino! Fico atenta e não enlouquecida!

E tem sido também de forma respeitosa que tenho tentado lidar com a espera das palavrinhas do Tom. Embora ele já esteja com 1 ano e 4 meses, ainda não tem “mamãe”, “papai”, “vovó” ou “titia” na trilha sonora daqui de casa. Tem sim um monte de sons que ele emite, mas que eu não tenho o desespero em traduzi-los. Acho engraçado quando algumas mães, na tentativa de significar os sons emitidos pelos filhos, tentam atribuir sentido. “Meu filho falou mamãe” isso quando a pobre criancinha tem apenas 6 meses.

Respeito que acredita, mas eu e o pai do tom tentamos não criar expectativas. Aqui em casa já teve muito : mamamamama, papapapapa, cacacacaca e até mesmo o A, E, I, O U que ele aprendeu na Galinha Pintadinha e pronunciou no mesmo ritmo em que as vogais apareciam neste DVD. Nós nos divertimos, mas não ficamos tentando ser o dicionário do Tom: ele disse isso! Ele disse aquilo!

Acontece que de 4 dias para cá parece que o pequeno tem falado sua primeira palavrinha consciente e ela não foi o substantivo que retrata nenhum membro da família. Sempre brincamos de nos esconder em casa e, quando vamos para trás do corredor,  eu e o pai dele dizemos: um, dói, três e já vou me esconder.

Para nossa surpresa em uma dessas brincadeiras o pequeno Tom completou a contagem, emitindo em alto e bom som um JÁ! Isso mesmo, quando fizemos, um dois, três e... ele veio de lá e completou a brincadeira: JÁ

Nossa que felicidade! Meu pequeno aprendeu não apenas a pronunciar uma palavra, mas a fazer isso numa situação específica, contextualizada. Para uma mãe-pedagoga não pode haver nada melhor que a aprendizagem do filho, sobretudo quando isso acontece num contexto específico de brincadeira.

Hoje a mamãe aqui tá mortinha de felicidade e, para comemorar, compartilha com vocês um texto sobre brincadeira e aprendizagem. Boa leitura!



Quando eu estiver, no quarto, construindo um edifício de blocos, por favor não diga que eu “estou apenas brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco sobre equilíbrio e forma.

Quando eu estiver bem vestido, arrumando a mesa, cuidando do bebé, não tenha a ideia de que eu “estou apenas brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Algum dia eu posso ser uma mãe ou um pai.

Quando você me vir até meus cotovelos na pintura, ou ajeitando uma moldura, ou moldando e dando forma à argila, por favor,  não me deixe ouvi-lo dizer que eu “estou apenas brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Eu estou me expressando e sendo criativo. Algum dia eu posso ser um artista ou um inventor.

Quando você me vir sentado em uma cadeira “lendo” para uma audiência imaginária, por favor, não ria e não pense que eu “estou apenas brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Algum dia eu posso ser um professor.

Quando você me vir recolhendo insetos ou colocando coisas que encontro no bolso, não os jogue fora como se eu “estivesse apenas brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Algum dia eu posso ser um cientista.

Quando você me vir montando um quebra-cabeças, por favor, não pense que estou desperdiçando tempo “brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Estou aprendendo a concentrar-me e resolver problemas. Algum dia eu posso ser um empresário.

Quando você me vir cozinhar ou provar comidas, por favor não pense que estou aproveitando, que é “só para brincar”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Eu estou aprendendo sobre os sentidos e as diferenças. Algum dia eu posso ser um “chef”.

Quando você me vir aprendendo a saltar, pular, correr e mover meu corpo, por favor, não diga que eu “estou apenas brincando”, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Eu estou aprendendo como meu corpo trabalha e algum dia eu posso ser um médico, uma enfermeira ou um atleta.

Quando você me perguntar o que fiz na escola hoje, e eu lhe responder: “Eu brinquei”, por favor não me entenda mal, já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco. Eu estou aprendendo apreciar e ser bem sucedido no trabalho. Eu estou preparando-me para o amanhã, porque hoje, eu sou uma criança e meu trabalho é brincar.


Anita Wadley

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Poder de um pequeno coração


 

Hoje estava aqui olhando mensagens no facebook quando, de repente, vejo este vídeo lindo e que me fez chorar de emoção: "O poder de um pequeno coração". Conforme o vídeo avançava, eu ia refletindo sobre cada momento vivido na gestação do Tom e relembrando como tudo foi tão lindo, tão intenso, tão bom!

O produto das minhas reflexões é o que compartilho no post de hoje...

Sou cheia de vida. Detesto o ócio, a melancolia, a apatia ou qualquer coisa que me deixe com menos vida, ou a vida menos digna de ser vivida. Amo muito, sofro muito e tudo comigo é de muito, é quente é pra já. Acontece que teve um dia em que eu passei a ter mais vida: 26 de maio de 2011. Naquela data, como numa linda surpresa, meu Tom entrou na minha vida e, desse dia em diante, mudou tudo em mim.

Pouco tempo depois, primeira ultrassonografia. Dia 06/06/2011 foi o dia em que, certamente, a vida pulsou mais forte. Meu Tom estava dentro de mim e as batidas de seu coração me fizeram entender que daquele dia em diante minha vida estava mais completa e eu tinha muito mais razão para viver. Isso porque, um pequeno coração tem o poder de transformar e foi pelo poder dessa transformação, que daquele dia em diante eu não era mais eu, passando a ser a mãe do Tom, o que me dava muito orgulho.

Pois é, tudo estava diferente. Isso porque, como disse a pouco, um pequeno coração tem o poder de transformar... Transformar sentimentos, fazendo tudo ser mais bonito e mais intenso. O amor, por exemplo, se expande! O medo, se triplica, a ansiedade é elevada ao infinito e tudo de bom fica pequeno diante do pequeno coração.

Um pequeno coração tem o poder de transformar, também, as relações. Em fração de segundos eu deixava o meu seguro lugar de filha, aventurando-me no sempre instável lugar de mãe. Lugar que, diga-se de passagem, é infinitamente melhor.

O pequeno coração transforma, ainda, inclusive as nossas escolhas. As viagens, as compras, a casa, a profissão, a cor e o tamanho do cabelo tudo passa a ser decidido para o bem estar do pequeno coração. Com ele tudo que nos envolve passa a ser escolhido em função desse coraçãozinho miudinho que aprendeu a bater em nosso ventre.

Além disso, um pequeno coração tem o poder de transformar a família. O marido e a mulher viram pai e mãe e, quando isso é desejo conjunto, a família ganha forma, ganha corpo, ganha vida. O pequeno coração passa a ser o coração de toda família e mesmo em sua delicadeza, exerce o poder de dar vida a todos que estão ao seu redor.

E é por tudo isso que um pequeno coração tem o poder de transformar a nossa vida para sempre. O pequeno coração do Tom fez isso comigo. Me deu de presente algo que nunca deixará de ser meu: a maternidade! Obrigada Tomaz por ter me transformado tanto. O seu pequeno coração é o que há de maior em toda minha existência!

 

DEU A LOUCA NOS MAMÍFEROS


Quem acompanha esta Viagem de Mãe sabe que um dos maiores motivos de minha preocupação foi a questão da Alergia à Proteína do Leite de Vaca – ALPV - que o pequeno Tom desenvolveu. Foram meses a fio experimentando diversas opções de leite hidrolizado, tais como  Neocate, Pregomim Pepti, Aptamil Pepti... até ele conseguir chegar ao leite comum que todos os bebês consomem. Foram 10 meses de muita luta, muito gasto e muito aperreio.
Finalmente parecia que tudo tinha terminado, mas há uma semana a pediatra do meu pequeno achou que era melhor tirar a lactose do leitinho dele, de modo que ele teve que abandonar o Ninho 1 +, conquistado com muita luta, voltando ao Nam sem Lactose.
Nossa, me deu um soco no estômago ouvir da Dra. Niedja que meu pequeno poderia estar desenvolvendo uma intolerância e que ele teria que abandonar a lactose. Como pode um bebê sofrer tanto com algo que é a naturalidade da alimentação de qualquer mamífero em anos iniciais da vida: o leite.
Desde pequeno o Tom sofre na sua difícil relação com o leite e se antes a minha maior preocupação era com a questão financeira, já que não é nada barato ingerir leites especiais, hoje eu me preocupo com a questão dele estar crescendo e desejar comer as mesmas coisas que consomem todas as crianças.
Espero que esta seja apenas mais uma etapa e que, logo-logo meu gordo consiga a superar isso.
É muito ruim não poder proteger os filhos de todo mal. Mães deveriam ter super poderes para evitar que coisas ruins acontecessem com as crianças.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A birra, o olhar alheio e a intervenção materna


 
      Domingo eu estava no supermercado quando Tomaz, que realmente assumiu a função de andarilho, decidiu ficar para lá e para cá entre os corredores. No meio do passeio ele viu que um pedacinho de uma cerâmica do piso estava quebrado e decidiu que iria mexer ali. Acontece que dentro do buraquinho tinha um monte de sujeirinha e eu, como uma mãe zelosa, tratei logo de impedi-lo de colocar a mão no local:

- Não pode, Tom! Tem sujeira aí e vai melar a sua mão. 

Nesta hora, para minha surpresa, Tom tratou de fazer algo que eu sempre achei horrível e temi que acontecesse comigo: jogou-se no chão e deu um escândalo daqueles. Nesta hora, tratando de aplicar todas as leituras que já fiz sobre birra infantil, me abaixei e falei baixinho (porém dura): levante-se daí! Isso é feio e você vai se machucar se continuar fazendo isso.

Ele parecia que não me escutava e continuava gritando. As pessoas ao meu redor começaram a me olhar e recriminar ao meu filho (e a mim também). Parecia que eu podia ler na testa dos outros:

- “Esta mãe não vai fazer nada?!”

- “Se fosse meu filho eu deixava ele aí se jogando e ia embora que já passava”.

- “Se fosse meu filho levava umas palmadas”.

Por pura sorte eu tive oportunidades distintas de pensar a educação doTom e não foi nada disso que eu fiz. Eu abaixei, olhei para ele e disse com a voz em tom firme: “Pare com isso, meu filho. Se você se jogar assim irá se machucar”. Em seguida me mantive na frente dele, ainda abaixada, e fiquei esperando ele se acalmar, o que foi, pouco a pouco, acontecendo.   

Ele entendeu que não poderia agir daquela forma e eu não gritei, não bati dele. Falei com ele, sem gritos, mas com firmeza, o que foi percebido pelo garotinho de apenas 1 ano e 3 meses. É claro que precisei esperar um tempo para ele se acalmar e isso não aconteceu em dois segundos.

Foi neste momento que agradeci uma leitura de texto que fiz meses anos, cuja autoria é de uma das pessoas que mais admiro na vida: Professora Luciene Tognetta. Esta leitura foi fundamental para que eu soubesse como lidar com meu filho no momento da birra e, justamente por isso, hoje o compartilho com vocês.

 

 

Quando uma criança faz birra no supermercado, é preciso olhá-la firmemente e permitir-lhe uma es­colha “Filho, você pode escolher entre o chocolate e o outro doce tal”. Qual dos dois você escolhe?”. É claro que os rios de lágrimas e de escândalos podem continuar e será preciso manter a calma para poder dizer-lhe “filho, parece que você não quer nenhum dos dois... então vamos embora”.

Quando combinamos com as crianças que vamos comprar sapa­tos, por exemplo, e as crianças tendem a correr pela loja, será preciso também lhes dar uma opção: “Viemos comprar sapatos, vocês preferem comprá-los ou vamos embora?” Passados alguns segundos em que as crianças se aquietam, quando voltam às mesmas brincadeiras, será preciso que se diga “Bem, vocês fizeram a escolha! Vamos embora”. Costumeiramente, ao tomar essa atitude, os filhos podem voltar-se ao adulto e dizer que não farão mais, que vão, enfim, deter-se ao que era objetivo inicial. E nesse momento será preciso dizer-lhes: “Agora não estou disposto a voltar. Vai ficar pa­ra outro dia em que minha raiva passar”.

Se agirmos assim, não precisaremos usar os famosos tapas que são vistos por muitos como práticas educativas. Não devemos NUNCA bater numa crianças e, certamente, motivos não nos faltam para considerar essa postura INADEQUADA:

Primeiro - um tapa bem dado ou não, não permite a adequação de um comportamento, porque é de caráter externo. A criança não pensa sobre o acontecido. A ação é realizada pelos pais e, por­tanto, não há legitimação da correção que o pai pretendia dar ao filho.

Segundo -  permitir um ta­pa é permitir uma forma de violência; e o que é pior, favorecer que essa criança também tenha es­se instrumento como a única possibilidade de resolver seus problemas com seus iguais. Filhos que apanham, legitimam seu desejo de também o fazer para garantir aquilo que mais desejam : serem adultos, iguais aos que tanto admiram: seus pais.

É por isso que as conversas e reflexões são as melhores formas de educar, porque quando permitimos aos filhos que façam escolhas, estamos dando a eles a oportunidade de pensar e de tomar decisões. As crianças não aprendem pelos castigos que são pensados pelos adultos. As crianças aprendem a regular seus comportamentos podendo to­mar decisões.

Assim, será preciso externalizar para os filhos o quanto ficamos chateados com as birras, porque as crianças precisam saber o que sentimos. O adulto equilibrado extravasa sua raiva verbalizando ao outro o que sente e como se sente diante de um acontecimento, seja com os filhos, seja entre seus iguais do mundo adulto.

Além disso, não devemos nunca “sair do salto”. Em outras palavras, um adulto não perde a serenidade num momento de conflito. Ele é O adulto da relação (e quantos se esquecem disso e gritam, esperneiam como crianças!). A brevidade da fala e a firmeza no que propõe são instrumentos que farão a criança repensar seus comportamentos.

O que nos ajudará a manter o equilíbrio nessas situações de birra é a compreensão de que as crianças não fazem travessuras e desobediências porque são más e sim porque há nelas a mesma regularidade de toda a espécie humana: o desejo de satisfazer seus interesses, de se sentirem aceitas, de compreenderem-se. Quando batem, xingam, mordem, seus iguais ou a autoridade, o fazem demonstrando não conseguir conter uma frustração, um medo, uma insegurança, uma raiva, sentimentos incontroláveis e por isso, expressos. Respeitamos as crianças quando permitimos que tais sentimentos sejam manifestados. Em formas violentas? Obviamente que não, permitimos o sentimento descrevendo-o, dando provas de como as compreendemos, de como as amamos: “ Vejo o quanto você está irritado hoje. Vejo que você gostaria muito de levar aquela bala...” é exemplo de uma linguagem promissora de quem é humano também o bastante para experimentar tais inquietitudes ao longo de suas relações com os outros.

Há uma última idéia que é preciso ser esclarecida: não se ensina ninguém a nadar quando se está afogando. Não adiantarão lições de moral em momentos de crise. Aliás, elas definitivamente perdem o poder quando a Psicologia constata que uma evolução moral é fruto de uma construção interna conseguida pela experiência vivida e sentida. Estamos convictos de que a moral é uma construção do sujeito, em suas interações com o mundo que o cerca. Uma construção que depende de duas qualidades essencialmente humanas, enquanto possibilidades de evolução: o pensar e o sentir

Quando as crianças com as quais convivemos têm a possibilidade de pensarem sobre suas ações, de reconstituí-las, ao expressarem o que poderiam ter feito para que um determinado comportamento inadequado não acontecesse, estamos favorecendo a construção das estruturas de pensamento, ou seja, a razão. Por outro lado, quando permitimos que as crianças se sintam acolhidas, pelo respeito mútuo, pela disposição do adulto em não puni-las e sim auxiliá-las a encontrar soluções para seus conflitos, estamos favorecendo a construção de uma identidade capaz de autocontrolar-se.

Quando permitimos que as crianças experimentem expressar o que sentem, num conflito entre pares, estamos permitindo que se indignem, que sintam raiva. Porém, ao se indignarem, apresentando ao outro as razões de tal indignação, estamos favorecendo que elas possam construir para si, um gostar de si que não permita que a façam sofrer e ao mesmo tempo, um respeitar o outro, porque lhes damos as razões para desaprovar suas ações.

O fato de indignar-se permite que se construa o valor do diálogo, da tolerância, do perdão, do arrependimento, da amizade como conseqüências das ações  não violentas que podem ser impedidas quando as transformamos em expressão de sentimentos. Queremos dizer que é preciso permitir a raiva, instigando a criança a encontrar maneiras de expressar o que sente sem violência. Quando perguntamos, por exemplo “como você pode fazer para mostrar a seu amigo que não gostou de sua atitude, sem bater nele?” asseguramos a importância do sentimento e permitimos que um valor seja construído.

Contudo, o contrário, ao assumirmos uma postura, como “pais democráticos” que tudo permitem e pouco proíbem, favorecemos a construção de uma imagem positiva de si pela criança de que “ela tudo pode” e de fato, os resultados serão tão ruins quanto à exposição da criança às punições e castigos. Primeiramente, a criança não sentirá o “Medo da perda do amor dos pais” quando não agir bem já que demonstramos atribuir pouca importância a seus comportamentos inadequados. Por outro lado, essa mesma criança estará formando uma imagem de si baseada em outros valores que não aqueles de solidariedade, de respeito, de justiça e poderá envergonhar-se apenas quando não se mostrar a mais forte, a mais ágil, a mais bem sucedida. (De La Taille, 1998)

Enfim, a educação dos filhos não é definitivamente tarefa de qualquer um. É tarefa de quem entende de desenvolvimento humano e de quem está disposto a enxergar uma nova forma de educar para a felicidade dos filhos.

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tom, a leitura e o livro certo


Os tripulantes que já embarcaram nessa Viagem de Mãe sabem que desde pequenininho leio para o Tom. Faço isso porque considero a leitura uma competência fundamental para a vida e, por isso, o que estiver ao meu alcance será feito para que meu gordinho leia e goste de ler.  

Esse meu empenho já foi até motivo de ser taxada de louca quando ele ainda era recém-nascido. Deixa eu explicar melhor essa história.... Quando o Tom nasceu, ele foi prematuro. Eu tive muito medo de não saber cuidar dele e contratei uma enfermeira para ficar comigo durante o primeiro mês dele em casa.
A pessoa escolhida foi uma senhora que me afirmaram ter muita prática com crianças. De fato, não duvido que ela tivesse. O problema é que ela já era de uma outra geração, na qual se lia para crianças apenas quando elas já sabiam ler.
Por isso, era difícil para ela entender que na rotina do meu filho, após a amamentação, vinha uma linda história contada da melhor forma que eu sabia contar. Era nessas horas que ela ia para minha cozinha e dizia à menina que me ajuda em casa: essa mãe de Tomaz só pode ser doida... Contando histórias para um menininho de dias de vida.
Quando soube disso, eu sorri e continuei contando histórias porque, de fato, também me considero um pouco doida e não abro mão de oferecer ao meu pequeno uma leitura gostosa, divertida!
De início, eu contava uma história qualquer que saia da minha cabeça e de meu repertório literário... depois vieram as histórias dos livros que, graças a Deus, aqui em casa são muitos. Só para se ter uma ideia, a “bebeteca” do Tom conta com um acervo de mais ou menos 400 títulos diferentes de literatura.
Os primeiros livros escolhidos dentre tantos foram os grandes, com imagens bastante coloridas. Não me preocupei muito com a história, pois contava a história ao invés de ler, o que me permitia adequar.
Fiz isso porque, de início, devemos nos atentar em contar histórias curtas, com poucas palavras em uma página, já que a atenção do bebê é mínima e quando mudamos a página ajudamos a resgatar e evitar a dispersão.
Quando ele fez uns 4 meses, comecei a escolher os livros que possuem pop up (imagens em 3D que saltam dos livros). Os pop up ajudam a aproximar a criança do livro e cativam muito a atenção. Aqui em casa, esses livros fizeram sucesso e foram muito lidos para o meu pequeno até o fim de seu primeiro ano de vida.

Agora iniciamos uma nova fase. Abandonei um pouco os de pop up e comecei a usar outros que temos em casa. Eu leio a história e, em seguida, entrego o livro para ele folhear. Ontem mesmo foi uma graça... Ao terminar uma contação, entreguei o livro na mão dele que ficou tentando passar as páginas usando as pontas do dedinho, parecendo até gente grande. Foi lindo!!!
Pode parecer bobagem, mas faço isso porque o livro tem que ser manuseado pela criança, pois apenas assim ela poderá adquirir um comportamento leitor.
Acontece que o Tom ainda é muito novinho e ele explora o livro da forma que sabe, de modo que, muitas vezes, leva-o até a boca, rasgando e sujando algumas páginas.
Eu não faço questão alguma que isso aconteça. Até chego a considerar um bom sinal uma página na qual um pedaço “foi comido”, pois isso significa que alguém aqui em casa está devorando livros (mesmo que literalmente).
Entretanto, como acho que folhas de livro não são os alimentos mais saudáveis, compramos hoje um exemplar de páginas grossas, de modo que é mais difícil dele comer e mais fácil dele folhear!!!


Essa foi a grande aquisição dos últimos dias e tenho certeza que ajudará o Tom na exploração do livro, permitindo-o manuseá-lo mais facilmente. Além da parte física, considerei que a história também é muito legal e educativa. Assim, decidi compartilhar aqui o título e a editora: CORES: O ELEFANTE FAZ UM ARCO-ÍRIS. A Editora é V e R e foi adquirido na Livraria Cultura.

Vale a pena para quem tiver querendo investir em livros adequados para essa faixa de etária inicial (1 ano e até um pouco mais) adquirir livros como este. Digo isso porque o bebê ouvirá uma boa história, ao mesmo tempo em que conseguirá desenvolver atitudes necessárias ao comportamento leitor: curiosidade em explorar o material.
Certamente estes momentos de leitura em muito ajudarão ao desenvolvimento dos nossos pequenos.  Falo isso com toda certeza que uma pedagoga (me esqueço as vezes que sou pedagoga e só lembro que sou mãe) pode ter, visto que a teoria nos diz que criança que ouve história fica mais atenta, mais calma e criteriosa. Aqui em casa eu tenho confirmado na prática isso, pois a percepção do meu Tom é algo de chamar atenção.
Fica a dica... A Viagem de uma Mãe está literalmente viajando no mundo da imaginação e desejando que nosso tripulante principal, o Tom, também entre nesta viagem.
   

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval ao som de mamamamamama.


De nascimento sou baiana, mas de alma, corpo e coração sou PERNAMBUCANA da mais perfeita categoria. A pernambucanidade é uma coisa tão presente em mim que vez por outra me pego errando em fichas cadastrais no quesito naturalidade, informando que nasci onde desejo, não onde realmente aconteceu.
Essa coisa tá ficando tão séria que há uma semana me ligaram da minha agência bancária querendo fazer atualização de cadastro. Para dar início a conversa com eles tendo certeza de que eu era realmente “a pessoa interessada” me fizeram aquelas clássicas perguntas: nome, data de nascimento, CPF e local de nascimento. Tal foi a minha surpresa que a moça do outro lado me disse: senhora, o local de nascimento não confere.
Naquele momento eu pensei:
- Como assim não confere? Minha mãe me fez achar durante todos estes anos que eu era soteropolitana!!!!
Foi quando, para meu espanto, ela prosseguiu:
- Aqui informa que a senhora nasceu em Recife!
Neste momento eu me belisquei para ter certeza que não era sonho e afirmei:
- Minha senhora, deve ter algum erro em seu cadastro. Eu sou Soteropolitana.
Não muito convencida do que eu afirmava, a moça do outro lado da linha continuou a conversa me fazendo outras perguntas que confirmassem que eu era realmente eu. Toda esta narrativa introdutória serve apenas para dizer: Recife, como é grande o meu amor por você!
Meu amor por esta terrinha é enorme e com direito a tudo que ele tem (não amo tudo que tem no Recife, mas amo o Recife da forma que é). É quase como um amor de mãe que ama mais que tudo e do jeito que é.  
No meio desse louco amor está a minha paixão pelo carnaval da minha cidade que, sem medo de ser piegas, é o melhor do mundo. Mesmo que esse amor esteja adormecido, ele permanece vivo e meus olhos brilham a cada marchinha carnavalesca e fantasia inusitada.
Digo amor adormecido pois há dois anos que abandonei os carnavais. Há dois anos que não pulo atrás dos blocos, que não canto no meio da multidão: voltei, Recife... Foi a saudade que me trouxe pelo braço, nem fico pensando qual será a fantasia que me ajudará a compor meu personagem de verdadeira foliã!!!
Não que isso seja um lamento. Abandonei os carnavais momentaneamente, pois tive o privilégio de conhecer um amor ainda maior: o amor materno. Por ele eu troquei as marchinhas por fraldinhas, os frevos por cantigas de roda e as fantasias por roupas confortáveis que não irritem a pele do meu pequeno.
Troquei também a música mais tocada no carnaval. Ano passado, por exemplo, minha trilha sonora foi composta por choro e jatos de vomito que insistiam em sair da boca do Tom. Mesmo com toda angústia que acompanhavam meus primeiros dias de mãe, posso afirmar que tinha sido o melhor carnaval da minha vida.
Isso se não tivesse tido o carnaval deste ano. As programações de momo e as trocas feitas continuam as mesmas do ano passado. Mudou apenas a música do carnaval que não foi frevo, maracatu nem axé. A música mais tocada no carnaval da minha casa foi “mamamamamamama”!!!
Isso mesmo, gente! Depois de muita expectativa finalmente o pequeno me chamou. Não que ele nunca tenha emitido sons com os fonemas M, A e E. Há tempos que ele vocaliza e sempre pronuncia balbucios que lembram a palavra mamãe.
Acontece que decidi não entrar na piração materna (pelo menos não nessa) que faz qualquer mãe achar que um simples bocejo do filho é a pronúncia das três letrinhas M, Ã, E! Coloquei na minha cabeça que só consideraria que o Tom falou qualquer palavra quando o som delas fosse proferido dentro de um sentido pertinente.
Foi então que durante os dias de momo meu pequeno olhou para mim com olhos apaixonados, tocou em meu rosto e falou: mamamama. A mãe aqui ficou toda bobona e retribuiu todo o amor que ele transmitia com muito beijo.
Daí então ele não parou mais! Foram 4 dias de muito mamamamama e durante esta folia que acontecia da porta pra fora da minha eu estava aqui ouvindo a mais lida de todas as melodias.
Esse Tom, resolve me aprontar justo no carnaval. Isso já me faz esperançar pelo que está por vir... Sendo assim, no carnaval do ano que vem, acho que vou me vestir de Pierrô. Isso porque a lágrima faz parte do traja e, como sou bobona, choro a cada novidade que meu pequeno decide apresentar.