sexta-feira, 26 de abril de 2013

A birra, o olhar alheio e a intervenção materna


 
      Domingo eu estava no supermercado quando Tomaz, que realmente assumiu a função de andarilho, decidiu ficar para lá e para cá entre os corredores. No meio do passeio ele viu que um pedacinho de uma cerâmica do piso estava quebrado e decidiu que iria mexer ali. Acontece que dentro do buraquinho tinha um monte de sujeirinha e eu, como uma mãe zelosa, tratei logo de impedi-lo de colocar a mão no local:

- Não pode, Tom! Tem sujeira aí e vai melar a sua mão. 

Nesta hora, para minha surpresa, Tom tratou de fazer algo que eu sempre achei horrível e temi que acontecesse comigo: jogou-se no chão e deu um escândalo daqueles. Nesta hora, tratando de aplicar todas as leituras que já fiz sobre birra infantil, me abaixei e falei baixinho (porém dura): levante-se daí! Isso é feio e você vai se machucar se continuar fazendo isso.

Ele parecia que não me escutava e continuava gritando. As pessoas ao meu redor começaram a me olhar e recriminar ao meu filho (e a mim também). Parecia que eu podia ler na testa dos outros:

- “Esta mãe não vai fazer nada?!”

- “Se fosse meu filho eu deixava ele aí se jogando e ia embora que já passava”.

- “Se fosse meu filho levava umas palmadas”.

Por pura sorte eu tive oportunidades distintas de pensar a educação doTom e não foi nada disso que eu fiz. Eu abaixei, olhei para ele e disse com a voz em tom firme: “Pare com isso, meu filho. Se você se jogar assim irá se machucar”. Em seguida me mantive na frente dele, ainda abaixada, e fiquei esperando ele se acalmar, o que foi, pouco a pouco, acontecendo.   

Ele entendeu que não poderia agir daquela forma e eu não gritei, não bati dele. Falei com ele, sem gritos, mas com firmeza, o que foi percebido pelo garotinho de apenas 1 ano e 3 meses. É claro que precisei esperar um tempo para ele se acalmar e isso não aconteceu em dois segundos.

Foi neste momento que agradeci uma leitura de texto que fiz meses anos, cuja autoria é de uma das pessoas que mais admiro na vida: Professora Luciene Tognetta. Esta leitura foi fundamental para que eu soubesse como lidar com meu filho no momento da birra e, justamente por isso, hoje o compartilho com vocês.

 

 

Quando uma criança faz birra no supermercado, é preciso olhá-la firmemente e permitir-lhe uma es­colha “Filho, você pode escolher entre o chocolate e o outro doce tal”. Qual dos dois você escolhe?”. É claro que os rios de lágrimas e de escândalos podem continuar e será preciso manter a calma para poder dizer-lhe “filho, parece que você não quer nenhum dos dois... então vamos embora”.

Quando combinamos com as crianças que vamos comprar sapa­tos, por exemplo, e as crianças tendem a correr pela loja, será preciso também lhes dar uma opção: “Viemos comprar sapatos, vocês preferem comprá-los ou vamos embora?” Passados alguns segundos em que as crianças se aquietam, quando voltam às mesmas brincadeiras, será preciso que se diga “Bem, vocês fizeram a escolha! Vamos embora”. Costumeiramente, ao tomar essa atitude, os filhos podem voltar-se ao adulto e dizer que não farão mais, que vão, enfim, deter-se ao que era objetivo inicial. E nesse momento será preciso dizer-lhes: “Agora não estou disposto a voltar. Vai ficar pa­ra outro dia em que minha raiva passar”.

Se agirmos assim, não precisaremos usar os famosos tapas que são vistos por muitos como práticas educativas. Não devemos NUNCA bater numa crianças e, certamente, motivos não nos faltam para considerar essa postura INADEQUADA:

Primeiro - um tapa bem dado ou não, não permite a adequação de um comportamento, porque é de caráter externo. A criança não pensa sobre o acontecido. A ação é realizada pelos pais e, por­tanto, não há legitimação da correção que o pai pretendia dar ao filho.

Segundo -  permitir um ta­pa é permitir uma forma de violência; e o que é pior, favorecer que essa criança também tenha es­se instrumento como a única possibilidade de resolver seus problemas com seus iguais. Filhos que apanham, legitimam seu desejo de também o fazer para garantir aquilo que mais desejam : serem adultos, iguais aos que tanto admiram: seus pais.

É por isso que as conversas e reflexões são as melhores formas de educar, porque quando permitimos aos filhos que façam escolhas, estamos dando a eles a oportunidade de pensar e de tomar decisões. As crianças não aprendem pelos castigos que são pensados pelos adultos. As crianças aprendem a regular seus comportamentos podendo to­mar decisões.

Assim, será preciso externalizar para os filhos o quanto ficamos chateados com as birras, porque as crianças precisam saber o que sentimos. O adulto equilibrado extravasa sua raiva verbalizando ao outro o que sente e como se sente diante de um acontecimento, seja com os filhos, seja entre seus iguais do mundo adulto.

Além disso, não devemos nunca “sair do salto”. Em outras palavras, um adulto não perde a serenidade num momento de conflito. Ele é O adulto da relação (e quantos se esquecem disso e gritam, esperneiam como crianças!). A brevidade da fala e a firmeza no que propõe são instrumentos que farão a criança repensar seus comportamentos.

O que nos ajudará a manter o equilíbrio nessas situações de birra é a compreensão de que as crianças não fazem travessuras e desobediências porque são más e sim porque há nelas a mesma regularidade de toda a espécie humana: o desejo de satisfazer seus interesses, de se sentirem aceitas, de compreenderem-se. Quando batem, xingam, mordem, seus iguais ou a autoridade, o fazem demonstrando não conseguir conter uma frustração, um medo, uma insegurança, uma raiva, sentimentos incontroláveis e por isso, expressos. Respeitamos as crianças quando permitimos que tais sentimentos sejam manifestados. Em formas violentas? Obviamente que não, permitimos o sentimento descrevendo-o, dando provas de como as compreendemos, de como as amamos: “ Vejo o quanto você está irritado hoje. Vejo que você gostaria muito de levar aquela bala...” é exemplo de uma linguagem promissora de quem é humano também o bastante para experimentar tais inquietitudes ao longo de suas relações com os outros.

Há uma última idéia que é preciso ser esclarecida: não se ensina ninguém a nadar quando se está afogando. Não adiantarão lições de moral em momentos de crise. Aliás, elas definitivamente perdem o poder quando a Psicologia constata que uma evolução moral é fruto de uma construção interna conseguida pela experiência vivida e sentida. Estamos convictos de que a moral é uma construção do sujeito, em suas interações com o mundo que o cerca. Uma construção que depende de duas qualidades essencialmente humanas, enquanto possibilidades de evolução: o pensar e o sentir

Quando as crianças com as quais convivemos têm a possibilidade de pensarem sobre suas ações, de reconstituí-las, ao expressarem o que poderiam ter feito para que um determinado comportamento inadequado não acontecesse, estamos favorecendo a construção das estruturas de pensamento, ou seja, a razão. Por outro lado, quando permitimos que as crianças se sintam acolhidas, pelo respeito mútuo, pela disposição do adulto em não puni-las e sim auxiliá-las a encontrar soluções para seus conflitos, estamos favorecendo a construção de uma identidade capaz de autocontrolar-se.

Quando permitimos que as crianças experimentem expressar o que sentem, num conflito entre pares, estamos permitindo que se indignem, que sintam raiva. Porém, ao se indignarem, apresentando ao outro as razões de tal indignação, estamos favorecendo que elas possam construir para si, um gostar de si que não permita que a façam sofrer e ao mesmo tempo, um respeitar o outro, porque lhes damos as razões para desaprovar suas ações.

O fato de indignar-se permite que se construa o valor do diálogo, da tolerância, do perdão, do arrependimento, da amizade como conseqüências das ações  não violentas que podem ser impedidas quando as transformamos em expressão de sentimentos. Queremos dizer que é preciso permitir a raiva, instigando a criança a encontrar maneiras de expressar o que sente sem violência. Quando perguntamos, por exemplo “como você pode fazer para mostrar a seu amigo que não gostou de sua atitude, sem bater nele?” asseguramos a importância do sentimento e permitimos que um valor seja construído.

Contudo, o contrário, ao assumirmos uma postura, como “pais democráticos” que tudo permitem e pouco proíbem, favorecemos a construção de uma imagem positiva de si pela criança de que “ela tudo pode” e de fato, os resultados serão tão ruins quanto à exposição da criança às punições e castigos. Primeiramente, a criança não sentirá o “Medo da perda do amor dos pais” quando não agir bem já que demonstramos atribuir pouca importância a seus comportamentos inadequados. Por outro lado, essa mesma criança estará formando uma imagem de si baseada em outros valores que não aqueles de solidariedade, de respeito, de justiça e poderá envergonhar-se apenas quando não se mostrar a mais forte, a mais ágil, a mais bem sucedida. (De La Taille, 1998)

Enfim, a educação dos filhos não é definitivamente tarefa de qualquer um. É tarefa de quem entende de desenvolvimento humano e de quem está disposto a enxergar uma nova forma de educar para a felicidade dos filhos.

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tom, a leitura e o livro certo


Os tripulantes que já embarcaram nessa Viagem de Mãe sabem que desde pequenininho leio para o Tom. Faço isso porque considero a leitura uma competência fundamental para a vida e, por isso, o que estiver ao meu alcance será feito para que meu gordinho leia e goste de ler.  

Esse meu empenho já foi até motivo de ser taxada de louca quando ele ainda era recém-nascido. Deixa eu explicar melhor essa história.... Quando o Tom nasceu, ele foi prematuro. Eu tive muito medo de não saber cuidar dele e contratei uma enfermeira para ficar comigo durante o primeiro mês dele em casa.
A pessoa escolhida foi uma senhora que me afirmaram ter muita prática com crianças. De fato, não duvido que ela tivesse. O problema é que ela já era de uma outra geração, na qual se lia para crianças apenas quando elas já sabiam ler.
Por isso, era difícil para ela entender que na rotina do meu filho, após a amamentação, vinha uma linda história contada da melhor forma que eu sabia contar. Era nessas horas que ela ia para minha cozinha e dizia à menina que me ajuda em casa: essa mãe de Tomaz só pode ser doida... Contando histórias para um menininho de dias de vida.
Quando soube disso, eu sorri e continuei contando histórias porque, de fato, também me considero um pouco doida e não abro mão de oferecer ao meu pequeno uma leitura gostosa, divertida!
De início, eu contava uma história qualquer que saia da minha cabeça e de meu repertório literário... depois vieram as histórias dos livros que, graças a Deus, aqui em casa são muitos. Só para se ter uma ideia, a “bebeteca” do Tom conta com um acervo de mais ou menos 400 títulos diferentes de literatura.
Os primeiros livros escolhidos dentre tantos foram os grandes, com imagens bastante coloridas. Não me preocupei muito com a história, pois contava a história ao invés de ler, o que me permitia adequar.
Fiz isso porque, de início, devemos nos atentar em contar histórias curtas, com poucas palavras em uma página, já que a atenção do bebê é mínima e quando mudamos a página ajudamos a resgatar e evitar a dispersão.
Quando ele fez uns 4 meses, comecei a escolher os livros que possuem pop up (imagens em 3D que saltam dos livros). Os pop up ajudam a aproximar a criança do livro e cativam muito a atenção. Aqui em casa, esses livros fizeram sucesso e foram muito lidos para o meu pequeno até o fim de seu primeiro ano de vida.

Agora iniciamos uma nova fase. Abandonei um pouco os de pop up e comecei a usar outros que temos em casa. Eu leio a história e, em seguida, entrego o livro para ele folhear. Ontem mesmo foi uma graça... Ao terminar uma contação, entreguei o livro na mão dele que ficou tentando passar as páginas usando as pontas do dedinho, parecendo até gente grande. Foi lindo!!!
Pode parecer bobagem, mas faço isso porque o livro tem que ser manuseado pela criança, pois apenas assim ela poderá adquirir um comportamento leitor.
Acontece que o Tom ainda é muito novinho e ele explora o livro da forma que sabe, de modo que, muitas vezes, leva-o até a boca, rasgando e sujando algumas páginas.
Eu não faço questão alguma que isso aconteça. Até chego a considerar um bom sinal uma página na qual um pedaço “foi comido”, pois isso significa que alguém aqui em casa está devorando livros (mesmo que literalmente).
Entretanto, como acho que folhas de livro não são os alimentos mais saudáveis, compramos hoje um exemplar de páginas grossas, de modo que é mais difícil dele comer e mais fácil dele folhear!!!


Essa foi a grande aquisição dos últimos dias e tenho certeza que ajudará o Tom na exploração do livro, permitindo-o manuseá-lo mais facilmente. Além da parte física, considerei que a história também é muito legal e educativa. Assim, decidi compartilhar aqui o título e a editora: CORES: O ELEFANTE FAZ UM ARCO-ÍRIS. A Editora é V e R e foi adquirido na Livraria Cultura.

Vale a pena para quem tiver querendo investir em livros adequados para essa faixa de etária inicial (1 ano e até um pouco mais) adquirir livros como este. Digo isso porque o bebê ouvirá uma boa história, ao mesmo tempo em que conseguirá desenvolver atitudes necessárias ao comportamento leitor: curiosidade em explorar o material.
Certamente estes momentos de leitura em muito ajudarão ao desenvolvimento dos nossos pequenos.  Falo isso com toda certeza que uma pedagoga (me esqueço as vezes que sou pedagoga e só lembro que sou mãe) pode ter, visto que a teoria nos diz que criança que ouve história fica mais atenta, mais calma e criteriosa. Aqui em casa eu tenho confirmado na prática isso, pois a percepção do meu Tom é algo de chamar atenção.
Fica a dica... A Viagem de uma Mãe está literalmente viajando no mundo da imaginação e desejando que nosso tripulante principal, o Tom, também entre nesta viagem.
   

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval ao som de mamamamamama.


De nascimento sou baiana, mas de alma, corpo e coração sou PERNAMBUCANA da mais perfeita categoria. A pernambucanidade é uma coisa tão presente em mim que vez por outra me pego errando em fichas cadastrais no quesito naturalidade, informando que nasci onde desejo, não onde realmente aconteceu.
Essa coisa tá ficando tão séria que há uma semana me ligaram da minha agência bancária querendo fazer atualização de cadastro. Para dar início a conversa com eles tendo certeza de que eu era realmente “a pessoa interessada” me fizeram aquelas clássicas perguntas: nome, data de nascimento, CPF e local de nascimento. Tal foi a minha surpresa que a moça do outro lado me disse: senhora, o local de nascimento não confere.
Naquele momento eu pensei:
- Como assim não confere? Minha mãe me fez achar durante todos estes anos que eu era soteropolitana!!!!
Foi quando, para meu espanto, ela prosseguiu:
- Aqui informa que a senhora nasceu em Recife!
Neste momento eu me belisquei para ter certeza que não era sonho e afirmei:
- Minha senhora, deve ter algum erro em seu cadastro. Eu sou Soteropolitana.
Não muito convencida do que eu afirmava, a moça do outro lado da linha continuou a conversa me fazendo outras perguntas que confirmassem que eu era realmente eu. Toda esta narrativa introdutória serve apenas para dizer: Recife, como é grande o meu amor por você!
Meu amor por esta terrinha é enorme e com direito a tudo que ele tem (não amo tudo que tem no Recife, mas amo o Recife da forma que é). É quase como um amor de mãe que ama mais que tudo e do jeito que é.  
No meio desse louco amor está a minha paixão pelo carnaval da minha cidade que, sem medo de ser piegas, é o melhor do mundo. Mesmo que esse amor esteja adormecido, ele permanece vivo e meus olhos brilham a cada marchinha carnavalesca e fantasia inusitada.
Digo amor adormecido pois há dois anos que abandonei os carnavais. Há dois anos que não pulo atrás dos blocos, que não canto no meio da multidão: voltei, Recife... Foi a saudade que me trouxe pelo braço, nem fico pensando qual será a fantasia que me ajudará a compor meu personagem de verdadeira foliã!!!
Não que isso seja um lamento. Abandonei os carnavais momentaneamente, pois tive o privilégio de conhecer um amor ainda maior: o amor materno. Por ele eu troquei as marchinhas por fraldinhas, os frevos por cantigas de roda e as fantasias por roupas confortáveis que não irritem a pele do meu pequeno.
Troquei também a música mais tocada no carnaval. Ano passado, por exemplo, minha trilha sonora foi composta por choro e jatos de vomito que insistiam em sair da boca do Tom. Mesmo com toda angústia que acompanhavam meus primeiros dias de mãe, posso afirmar que tinha sido o melhor carnaval da minha vida.
Isso se não tivesse tido o carnaval deste ano. As programações de momo e as trocas feitas continuam as mesmas do ano passado. Mudou apenas a música do carnaval que não foi frevo, maracatu nem axé. A música mais tocada no carnaval da minha casa foi “mamamamamamama”!!!
Isso mesmo, gente! Depois de muita expectativa finalmente o pequeno me chamou. Não que ele nunca tenha emitido sons com os fonemas M, A e E. Há tempos que ele vocaliza e sempre pronuncia balbucios que lembram a palavra mamãe.
Acontece que decidi não entrar na piração materna (pelo menos não nessa) que faz qualquer mãe achar que um simples bocejo do filho é a pronúncia das três letrinhas M, Ã, E! Coloquei na minha cabeça que só consideraria que o Tom falou qualquer palavra quando o som delas fosse proferido dentro de um sentido pertinente.
Foi então que durante os dias de momo meu pequeno olhou para mim com olhos apaixonados, tocou em meu rosto e falou: mamamama. A mãe aqui ficou toda bobona e retribuiu todo o amor que ele transmitia com muito beijo.
Daí então ele não parou mais! Foram 4 dias de muito mamamamama e durante esta folia que acontecia da porta pra fora da minha eu estava aqui ouvindo a mais lida de todas as melodias.
Esse Tom, resolve me aprontar justo no carnaval. Isso já me faz esperançar pelo que está por vir... Sendo assim, no carnaval do ano que vem, acho que vou me vestir de Pierrô. Isso porque a lágrima faz parte do traja e, como sou bobona, choro a cada novidade que meu pequeno decide apresentar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Neste Carnaval a medalha não faz parte da fantasia

No Carnaval, a chuva não cai não cai do céu
A gente joga confete
E cai chuva de papel


Em 2012 passamos o ano inteiro recordando o carnaval que vivemos. Nossa como foi difícil!!! Digo isso por tudo que aconteceu nestes quatro dias e não por ter deixado de ir ao Galo da Madrugada ou qualquer outra festa da qual sempre gostei.
Tom tinha 1 mês de vida e os dias da folia de momo foram aqueles em que ele estava pior do refluxo. Só para terem uma noção, no sábado de Carnaval ele engasgou e tivemos que reanimá-lo com respiração boca a boca, sugando leite que estava em seu nariz.
Como se já não fosse o suficiente, na terça-feira carnavalesca ele tratou de engasgar-se novamente e aí, mãe e pai já desesperados, decidiram não dormir à noite. Ainda bem que eu tenho uma super mãe que veio pra minha casa se revezar conosco. Vocês nem imaginam, foi uma noite e tanto: cada um ficava com ele por três horas no colo e passava para o seguinte, na tentativa de que, através do revezamento, conseguíssemos nos manter acordados para não derrubar o bebê.
Rezando que a folia chegasse ao fim, na quarta-feira de cinzas já estávamos nós três lá no hospital, contando com a ajuda da prima pediatra Maria do Carmo, tentando entender porque ele tinha um refluxo tão severo. Seria má formação no sistema digestivo? Os exames trataram de nos dizer que não. Seria um refluxo intenso? Os exames disseram que sim: 8 episódios a cada 10 minutos.
Assim veio o laudo: o que o Tom tinha era refluxo o que, para os médicos, não era considerado uma doença, mas sim uma imaturidade no sistema de digestivo que, com o tempo, iria ser superada.
Confesso que de início senti um baita alívio, mas logo veio uma grande preocupação: quanto tempo viveríamos daquela forma com o Tom colocando tudo para fora e se engasgando?
A médica que o acompanhava, cuja competência sempre destaco aqui, tratou de me dizer que teria de ter paciência. Por volta dos 6 meses, segundo Dra. Margarida Antunes, ele apresentaria uma melhora significativa. Essa fala dela foi como um soco em meu estômago: como iria sobreviver mais 5 meses com essa realidade.
Chorei, me desesperei muitas vezes, mas hoje, um ano após, estou aqui relembrando esta história com um único sentimento em meu coração: nossa, passou mais rápido do que eu pude imaginar.
Conforme disse minha amada médica, aos seis meses Tom apresentou uma melhora significativa. De lá para cá ele nunca mais se engasgou como antes e hoje até brinca com uma tosse simulada que lembra seus episódios de engasgo. O detalhe é que ele usa disso quando é contrariado por saber que nós correremos para atendê-lo. Que engano, Tom. A mamãe sabe direitinho quando é de verdade e quando não é e não se rende a esse tipo de comportamento que meninos espertos adotam para satisfazer suas vontades.
Foi lembrando disso tudo que hoje, com um novo carnaval se aproximando, eu não poderia deixar de registrar aqui como a nossa vida mudou já que essa realidade agora está no passado apenas nos lembrando que os conselhos das pessoas mais experientes, normalmente, são verdades: isso tudo iria passar.
Agora em 2013 nada mais de aperreio nem estresse. O Galo da Madrugada continuará ainda nos esperando um pouco mais, porque esse ano os passeios carnavalescos que faremos serão todos aqueles que terminarem em INHO ou tiverem algo infantil no nome: Guiamum Trelosinho, Mini Carvalheira, Matiné e outros lugares nos quais há muito confete caindo do céu.
A melhor parte disso tudo é que estamos muito felizes em trocar o Galo pela Matiné, porque para nós o que importa mesmo é estar onde o Tom também está.
Isso porque, se rezávamos no ano passado para tudo passar depressa, este ano estamos querendo que as coisas caminhem a passos de tartaruga, para que, cada dia mais, possamos aproveitar o carnaval ou qualquer outro festejo ao lado do nosso pequeno que este ano está carregando no peito uma medalha de campeão. Ah, o detalhe é que a medalha não faz parte de nenhuma fantasia, ela é adereço da vida real.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

É preciso manifestar o que sentimos. Campanha contra o "Engula o Choro"


Toda mulher, depois que engravida, é acompanhada de um desejo enorme de acertar. Aqui em casa as coisas não são diferentes e, justamente por isso, me dedico com afinco às atividades maternas, tentando, a todo custo, alcançar um patamar de sucesso que ao menos permita que eu viva com uma culpa um pouco menor (já que a culpa é natural na maternidade).
É justamente por isso que tento ler um monte de coisa que aparece sobre maternidade e desenvolvimento e hoje, em uma de minhas leituras, li algumas frases que jamais deveremos dizer aos nossos filhos. A primeira delas era: Pare de chorar! Nossa como ouvi isso quando era pequena... Não que tenha sido ma criança chorona, mas era do tipo de temperamento forte e quando não conseguia o que queria abria o berreiro. Minha mãe, que não tinha o temperamento diferente do meu, tratava logo de conter aquilo que ela considerava bobagem e de forma contundente, me dizia: ENGULA O CHORO.
Eu engolia e, aparentemente, o problema tinha sido resolvido. Acontece que eu engolia o choro e junto com ele vinha um sapo enorme que ficava engasgado bem no meio da minha garganta.
Por sorte o sapo descia. Mais cedo ou mais tarde ele tratava de sair dali e, como minha mãe era muito afetuosa, apenas essa ação dela não inibiu minha expressão dos sentimentos.
Acontece que, de modo geral, esse tipo de comando é nefasto ao desenvolvimento humano, sobretudo se considerarmos que ele é dado pela pessoa mais significativa para a criança: a mãe.
É preciso levar em consideração que a criança pequena irá descobrir o mundo pela ação física, pelo movimento, pelas sensações. Assim, quem a livra dos perigos, quem a alimenta e troca sua roupa é o adulto. Por tais motivos, os pequenos nos julgam como aquele que tudo sabe, que tudo pode.
Dessa forma, quando esse adulto constrói uma relação baseada em modelos educativos coercitivos, usando comandos de ordem que inibem a expressão dos sentimentos, ele termina por ajudar a “formar” filhos e filhas que acreditam que sentimento não é para ser manifestado. Lembrem-se: para os pequenos nós sabemos de tudo!
Assim, crianças criadas através do ENGULA O CHORO não conseguirão falar o que sentem em situações de conflito, e, por isso, terminarão por escolher uma via de resolução de conflitos que não estará pautada na perspectiva do diálogo (Poderão adotar as estratégias submissas ou violentas para resolverem seus problemas).
Conseguir expressar o que sente é um ponto importante para que a criança não seja violenta não seja submissa em suas relações interpessoais. É por isso, que antes de dizer: Pare de Chorar! ou Engula o Choro!, deveremos orientar às crianças sobre formas mais assertivas de resolução de conflitos usando a linguagem de maneira mais adequada.
Uma boa alternativa seria: Eu entendo que você está muito triste e por isso fala assim. Acontece que eu não consigo entender enquanto você grita. Vamos tentar ficar mais calmos para que eu entenda o que te deixou triste. Quando você conseguir falar usando palavras talvez eu consiga te ajudar. 
Certamente, através da ajuda dos adultos, as crianças irão aprender que o choro não é a melhor forma de expressar o que sentem e, aí, passarão a falar de maneira mais controlada. Isso apenas é possível se o adulto da relação não usar linguagens próximas das que as crianças usam, com gritos, ataques de fúria e/ou violência física. 
 Pesquisadores de todo o mundo afirmam que as crianças educadas em um ambiente sociomoral cooperativo, ao julgarem dilemas hipotéticos, mostram-se mais sensíveis aos sentimentos alheios e, portanto, julgam de modo mais solidário do que as crianças de um ambiente autoritário. Isso porque neste ambiente sociomoral elas encontram respeito por seus próprios sentimentos e, com isso, aprendem a respeitar o dos outros.  
Aqui em casa eu NUNCA mandarei Tom engolir o choro nem parar de chorar. Usaremos a conversa e, assim, nos entenderemos. Direi para ele: a maneira como você está gritando não está ajudando. Prefere parar com isso ou prefere ir gritar e seu quarto? Com isso, instituímos o limite e, ao mesmo tempo, respeitamos a singularidade da criança. É isso que espero. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Voltá às aulas


Para muitos esta será a última semana de férias. Aqui em casa o tempo de vida boa ainda permanece mais alguns meses, pois, como muitos já sabem, Tom tem apenas 1 aninho. Isso faz com que ele ainda possa usufruir mais 6 meses de férias, visto que minha decisão é de levá-lo à escola apenas com 1 ano e meio.
Mas como há outras mamães que acompanham esta minha viagem e que iniciarão um novo momento agora, compartilho algumas dicas para que este momento seja o mais feliz possível.
Isso porque, além da mãe de Tom sou também uma pedagoga que acompanhou esse início de vida escolar de um número bem grande de crianças, o que me deu experiência para dizer: é muito importante fazer destes dias momentos de tranquilidade e alegria.

1.    Envolva a criança na volta às aulas. Levá-la junto na hora de comprar o material é uma boa maneira de fazer isso. Quando participa desse processo, ela começa a criar vínculos e ficará com mais vontade de estudar para usar aqueles novos cadernos e canetinhas.
2.    Converse com seu filho e mostre que aprender é algo positivo. Nunca use a escola como forma de ameaça, falando que vai mandá-lo para lá se ele não se comportar. A criança aprende pelo exemplo. Se os pais tiverem um bom relacionamento com a escola, os filhos também vão ter. Lembre-o de suas experiências mais marcantes, do que viveu com os amigos, brincou, conheceu.
3.    Se os amigos já voltaram de férias, aproveite o fim de semana e promova encontros para que a criança relembre o quanto é bom conviver com eles.
4.    Durante as férias, é comum mudar um pouco a rotina em casa. Dias antes de voltar às aulas, então, volte com os mesmos horários e atividades para que a mudança não seja brusca demais.
5.    Acalme-se você também. Não é raro os pais ficarem ansiosos com a mudança de rotina e a saudade que vai sentir do filho e acabar transferindo tudo para ele. Curta com a criança este momento e imagine o que ele vai poder experimentar e aprender neste novo ano![1]

Lembrem-se: boa parte do sucesso dos nossos filhos na escola depende de como conduzimos o processo de ingresso no universo estudantil. Por isso, devemos valorizar cada conquista, cada minuto, cada progresso.
Certamente, quando nós (os adultos) tivermos cumprido a nossa tarefa, valorizar nossos filhos pelo que são, as crianças também estarão seguras de que conseguem, já que possuem uma imagem positiva perante os pais. Dessa forma, os pequenos estarão livres para ser o melhor que conseguem ser e, aí, ninguém segura eles.



[1] Dicas retiradas do site da Revista Crescer

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Andar, dirigir... Dá pra voltar a engatinhar?


Domingo, dia 20 de janeiro de 2013: 1 ano e 11 dias, Tomaz dá um passinho sozinho no terraço da casa de sua avó Fátima.
Segunda, dia 21 de janeiro de 2013: 1 ano e 12 dias, Tomaz dá 4 passinhos sozinho no Shopping Paço Alfândega, mediado pela ajuda do seu Tio Miguel que ficou próximo encorajando-o.
Quarta, dia 23 de janeiro de 2013: 1 ano e 14 dias, Tomaz dá 6 passinhos sozinho na sala da nossa casa, para nos mostrar que o dia dele caminhar com suas próprias pernas está se aproximando.
É incrível ver como meu pequeno está se desenvolvendo. Cada dia uma conquista, uma nova arte, uma nova coisa que ele faz de forma autônoma. Como se já não bastassem esses passinhos que ele tem dado na última semana, agora aprendeu a manifestar claramente o que deseja.
A última foi ficar tentando subir num carrinho lindo que ele tem, colocando uma perninha e agarrado ao carro como quem estivesse dizendo: QUERO SUBIR AQUI! Sem pestanejar, minha mãe tratou de atender ao desejo do neto, colocando-o sobre o brinquedo. No mesmo instante ele deu um riso que a fez ficar bobinha, feliz da vida por ter atendido ao neto.
Vendo a cena, decidi me aproximar para ver a quantas anda minha reputação com ele. Foi então que eu cheguei e comecei a chamá-lo. Tom é muito ligado a mim e em 99,9% das vezes que eu apareço na frente dele e começo a chamá-lo, ele atende ao comando e joga o corpo em minha direção.
Acontece que isso era antes do carrinho. Quando eu o chamei dentro do AUTOMÓVEL, ele encolheu os braços e ficou com eles meio cruzados numa demonstração clara de que não queria sair do possante. Eu cai na gargalhada e não acreditei que esse gordinho, além de ter vontade própria, já está fazendo questão de deixá-la clara desde agora.
Nesse momento eu pensei: mal anda e já está assim. Imagina quando estiver dirigindo um carro de verdade livre por aí... Nem quero pensar nisso agora. Sai pra lá pensamentos que me levam a constatação de um filho independente. Enquanto eu puder, tratarei de deixá-lo bem bebezinho, nem que isso seja apenas na minha cabeça e coração de mãe.

Ah, e quem achar que tudo isso é maluquice acertou. Qual mãe que é normal?