segunda-feira, 2 de julho de 2012

O valor de um filho


Sempre achei que preço e valor são coisas distintas. E uma das coisas que sempre desejei conseguir ensinar ao Tomaz foi o valor das coisas e não o preço delas. Eis que hoje recebi uma mensagem interessante, sobre o custo de um filho X o valor que eles têm em nossas vidas.
O referido texto trazia a seguinte reflexão:


Uma ONG calculou recentemente o custo para se criar um filho, do nascimento aos 18 anos, e chegou a R$ 160.140,00 para uma família de classe média.
O valor é chocante! E esse valor não cobra a formação escolar.

Mas R$ 160.140,00 não é tão ruim assim se você parcelar. Ele se traduz em:

·         R$ 8.896,66 por ano;
·         R$ 741,36 por mês;
·         R$ 171,08 por semana e
·         meros R$ 24,24 por dia.
Ou seja, cerca de um real por hora.

Mas o que você ganha gastando R$ 160.140,00?

·         Direito a dar o nome
·         Olhares de Deus todos os dias
·         Risadinhas debaixo das cobertas todas as noiter
·         Mais amor do que seu coração pode suportar
·         Beijos jogados no ar e abraços carinhosos
·         Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens, biscoitos, cachorros, gatos, etc.
·         Uma mão para segurar, normalmente cheia de geléia e de chocolate
·         Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas
·         Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito ou como as bolsas de valores se comportaram nesse dia
Por R$ 160.140,00 você não precisará crescer nunca. Você deve:

·         Ter os dedos sujos de tinta
·         Modelar objetos
·         Brincar de esconde-esconde
·         Ouvir música da Xuxa
·         Nunca deixar de acreditar em Papai Noel
Você terá desculpa para:

·         Continuar a ler as aventuras do Ursinho Puff
·         Assistir desenhos animados aos sábados pela manhã
·         Assistir filmes da Disney
·         Fazer pedidos às estrelas
·         Você recebe molduras de arco-iris, de corações ou flores sob imãs de geladeira, conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães, e cartões com letras viradas para o Dia dos Pais
Por R$ 160.140,00 não há outro jeito mais fácil de ficar famoso. Você é um herói apenas por:

·         Recuperar uma pipa no telhado da garagem
·         Retirar as rodinhas da bicicleta
·         Remover uma farpa do pé
·         Encher uma piscina de plástico
·         Fazer bola de chiclete sem estourar
·         Ir a parques de diversões e voltar exausto
Você tem lugar na primeira-fila da História como testemunha:

·         Dos primeiros passos
·         Das primeiras palavras
·         Do primeiro sutiã
·         Do primeiro namoro
·         Da primeira vez atrás do volante de um carro
Você fica imortal. Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos.
Você recebe formação em psicologia, enfermagem, justiça criminal, comunicação e sexualidade humana que nenhuma faculdade pode lhe dar. Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus.

Por R$ 160.140,00 você tem poder para:

·         Curar um choro
·         Espantar os monstros que estão debaixo da cama
·         Remendar um coração partido
·         Policiar uma festa sonolenta
·         Cultivá-los sempre e amá-los sem limites
E assim, algum dia eles, como você, amarão sem medir os custos.
É um excelente negócio por este preço.

Ame e curta seus filhos, netos e bisnetos. É o melhor investimento que você fará na vida.

Por R$ 160.140,00 você poderia:

·         Comprar um carro de luxo
·         Comprar uma linda casa
·         Comprar um lindo iate
Mas nada se equivale ao valor de um filho.

domingo, 1 de julho de 2012

Começaria tudo outra vez


Logo que o Tomaz nasceu eu procurava uma roupinha dentro do seu guarda-roupa e não encontrava. Não é que ele não tivesse peças para vestir, muito ao contrário. Acontece que ele era tão pequeninho que tudo ficava demasiadamente desproporcional.
Hoje eu fui vestir uma roupinha que ele tem, que é linda e nunca usou e qual foi a minha surpresa: não coube! A blusa ficou curta e a calça, ao invés de ficar folgadinha e confortável, parecia peça de ginástica. É, se eu tivesse o dom de ler os pensamentos de um bebê, acho que o dele seria: “eu não caibo mais nas roupas que eu cabia”.
Olhando para ele naquelas peças que pareciam ser de outra criança eu pensei: ele tá crescendo! O pior é que esse pensamento não cruzou minha cabeça apenas hoje. É isso que penso cada vez que olho para ele. O pior é que o verbo crescendo vem acompanhando de complemento: crescendo rápido demais (quem diria, mas hoje eu penso assim)!
Gente, é isso que eu penso todas as vezes que o pequeno/grande Tom sorri ao nos ver brincando com ele (o sorriso voluntário é marca da interação, própria dos bebês grandes), quando ele quase senta sozinho (nossa que independência), quando ele rola de um lado para o outro em busca do brinquedo (já, já ele anda)... quando come papinha e sopinha (em breve: mãe, me leva ao Mc Donalds), enfim, quando se comporta feito menino grande e não um bebê  (tudo que escrevi entre parênteses são meus pensamentos histéricos).
Crescendo depressa... talvez mais depressa do que nós gostaríamos, porque aquela carinha de bebê está indo embora e, no lugar dela, surgindo um rostinho de menino/homem sério, que sorri só quando quer e para quem quer.
Quem diria que aquela ansiedade do início, que me fazia acordar todos os dias desejando que Tomaz tivesse 6 meses, cederia espaço para um saudosismo sem tamanho que agora coloca em meu pensamento matinal: cadê meu bebê? Onde ele foi parar? Acho que os meses se passaram enquanto eu dormia.
Penso que tudo isso está acontecendo nessa velocidade toda porque Tomaz está numa fase muito gostosa (já ouviram falar que tudo que é bom dura pouco?). O refluxo, como já tinham me alertados os 500 médicos que ele frequentou, está cada dia melhor. No lugar de infinitas golfadas que persistiam o dia inteiro hoje temos pequenas e esporádicas que acontecem, no máximo, uma vez a cada dia.
Os engasgos que eram constantes que tiravam meu sono já são coisas do passado, de modo que essa preocupação já não faz mais parte da minha rotina (ainda bem!).
A alergia à proteína do leite de vaca, que era uma grande preocupação minha, continua existindo, mas não me preocupa mais. Hoje acertamos a fórmula que ele precisa tomar e não temos mais nenhum tipo de preocupação: coco está bem, pele está ótima, assaduras são coisas do passado!
Enfim, essa é a melhor fase dele e não podia ser diferente: está passando depressa demais. A impressão que me dá é a de que os meses viraram dias, dias segundos e os minutos, sobre esses eu nem falo, viraram piscar de olhos!
É por isso, que antes que eu acorde e ele tenha 1 ano, eu vou correndo curtir ele mais um pouquinho, porque quando eu menos esperar ele entrará aqui no meu quarto e me dirá: mãe, to namorando!
Não sei se o tempo está voando ou se eu estou mais neurótica do que nunca, só sei que me deu uma vontade enorme de colocar meu pequeno de volta na minha barriga e, por mais que tenha sido bem difícil esses primeiros meses aqui em casa, me deu vontade de passar por tudo outra vez.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

10000 razões para comemorar




O ano de 2012 ficará, para sempre, em minha memória. Desde a última virada do ano muita coisa aconteceu: Tomaz chegou, meu corpo mudou, minha vida mudou, meu tempo mudou, minha casa mudou, tudo mudou!
Muitas dessas mudanças foram compartilhadas aqui, onde alegrias foram relatadas, tristezas compartilhadas, ações divulgadas, enfim, aqui minha vida foi exposta (foi escancarada). O objetivo da construção desse blog foi um só: conectar-me a um mundo do qual eu estava distante em função da intensidade que era cuidar de um bebê com pouco mais de um mês: o Tomaz!.
No dia 28-02-2012, quando foi ao ar o primeiro post eu pensei: será uma exposição pequenina, pois quem há de se interessar pelos relatos de uma mãe histérica, despreparada e insegura? Não é que essa pretensão inicial mudou e hoje, 4 meses após esse início, tudo é diferente. .
Cada vez mais pessoas entram aqui e, lendo essa minha viagem de mãe, entram também na minha vida! Quanta gente hoje conhece o Tomaz, sua vida, suas dificuldades, sua alimentação, seu banho... Podem ter certeza que é muito mais gente do que eu imaginei.  
E os lugares onde estão essas pessoas: tem gente do Rio de Janeiro, de São Paulo, Roraima, Espírito Santo... do Brasil todo, aliás, do mundo todo: Ásia, África, Europa, América do Norte... Quanta gente embarcando nessa minha viagem de mãe.
É por isso que hoje, no dia que o blog completa quatro meses de vida, eu tenho mais de 10000 motivos para comemorar, porque é esse o número de acessos que aqui tivemos: 10199 (isso às 16h51 do dia 28-06-2012).
Obrigada a todo mundo que entrou aqui, leu meus textos, sorriu das minhas histórias, chorou com meus dramas pessoais, se solidarizou com as minhas dificuldades (por menores ou maiores que fossem).
Antes eu achava que essa viagem seria curta, pequena e com poucos passageiros. Hoje eu agradeço que essa minha “ida ao interior do estado” tenha se transformado em uma “viagem internacional”, com direito a muita gente nova.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Amor X Abandono: buscando caminhos para enfrentar as birras infantis.






Hoje eu vou falar um pouquinho sobre birras infantis... É, isso sim... aquilo que as crianças gostam de fazer em pleno Shopping Center (ou qualquer outro espaço público e, de preferência,  bastante cheio), se jogando no chão, chorando, ou melhor, berrando, batendo as pernas, os braços e todas as outras partes do corpo e que matam de vergonha qualquer mãe e pai.

Nesse momento todos devem estar pensando: o Tomaz já faz birras? Não, gente, ele ainda não faz! Eis que deve ter surgido outra pergunta: e por que ela resolveu falar sobre isso, se o foco de discussão desse blog é o desenvolvimento do Tomaz (aqui ele é quase o centro do universo)?

A verdade é que faço parte de uma comunidade no facebook chamada de Cantinho Pais e Filhos. Lá é um espaço bem bacana, no qual discutimos sobre temas variados ligados à maternidade, compartilhando experiências, dividindo angústias, recebendo ajuda, enfim, deixando mais leve e feliz nossas viagens de mãe.

Acontece que ontem o tema de discussão era esse: birra infantil. Em um dos posts colocados por uma mãe havia a indagação sobre o que fazer nessas situações. Foi então que me dei conta de que esse é um tema recorrente e difícil de ser manejado e, por isso, decidi escrever aqui.

Esse post, na verdade, é uma forma de agradecer as participantes do cantinho (coloquei as porque até hoje só encontrei mamães por lá) por tudo que têm me ajudado. Assim, agora estou dizendo: sou eu quem vou ajudar vocês (ou ao menos vou tentar).

Bem, vamos lá. Na hora que seu filho se joga no chão o que você deve mostrar a ele é que a mãe, o pai ou qualquer outro cuidador é uma figura de autoridade que merece respeito. Não adianta, DE FORMA ALGUMA, dizer a ele: “eu vou embora viu! Você vai ficar aí SOZINHO” (normalmente os pais e mães recorrem a esse tipo de ameaça)!

Gente, ações como essa, longe de resolver nosso problema, terminam por criar outros muitos, os quais falarei a seguir: criança alguma deve temer o abandono. Se há algo cruel que podemos fazer com os filhos é ameaça-los de abandono, visto que, do ponto de vista psíquico, é impossível uma criança pequena suportar o abandono de alguém significativo para ela (como são os pais). Muitas das inseguranças infantis, que aparecem até de forma recorrente e nem sabemos de onde vieram, são decorrentes desse tipo de intervenção.

Além disso, qual o pai ou mãe que, DE FATO, vai embora do Shopping? É claro que não vamos. Por mais que os ameacemos não cumprimos o que prometemos e, assim, fracassamos a nossa autoridade perante os olhos daqueles que deveriam reconhecê-la: os nossos filhos.

Esses dois motivos são suficientes para refutar esse tipo de ação e afirmar: elas são demasiadamente inadequadas. Entretanto, vocês devem estar se perguntando, o que farei? Deixarei ele berrar até cansar? Claro que não!

Para decidir de forma consciente como proceder, devemos entender o que leva uma criança a respeitar determinada regra, como não berrar, por exemplo.

Para que uma criança respeite a regra ela precisa respeitar aquele que institui a regra, no caso, o pai, a mãe ou qualquer outra figura de autoridade. Isso porque, ainda pequena (por volta dos 4 anos até os 9, mais ou menos), ela é heterônoma (ou seja, encontra-se, do ponto de vista do desenvolvimento  moral, na moral da obediência), o que quer dizer que não respeita a regra por reconhecer que ela é importante, mas sim pela pessoa que impõe ou apresenta a regra.

Seria maravilhoso se nossos filhos tivessem condições de pensar: não vou berrar no shopping porque isso incomoda as pessoas. Bem, seria ideal, mas não é real. A realidade é que nossos pequenos respeitam as regra em função da pessoa que institui essa regra e, para isso, precisam sentir por ela, ao mesmo tempo, amor, medo e confiança. Isso explica porque uma criança respeita uma pessoa e não faz o mesmo por outra.

Assim, precisamos entender que a criança passa a respeitar as regras (como não se jogar no chão, por exemplo) não porque compreende que são importantes e as reconhecem como necessárias, mas porque foi capaz de desenvolver um sentimento de respeito pela pessoa que institui a regra, passando, por isso, a compreender uma obrigatoriedade no cumprimento dela.

Dessa forma, a afetividade passa a ser ponto-chave no despertar do senso moral, uma vez “a criança pequena respeita seus pais ou demais pessoas para elas significativas porque elas lhes inspiram, ao mesmo tempo, amor e medo” (LA TAILLE, 2006, p. 109).

O que quer dizer esses dois sentimentos? o amor é uma forma de apego e admiração natural que a criança desenvolve pelas pessoas significativas para ela. Já o medo não é o temor causado por chantagens ou amedrontações utilizadas em outrora como “práticas educativas” (se levante se não eu vou embora e vou lhe deixar aqui). O medo é o temor pela possibilidade da retirada desse amor que ela sente, decorrente da desproteção sentida pela criança em situações de punição.

Dessa forma, compreendemos que num primeiro momento a criança obedece às regras morais porque deseja, sobretudo, agradar as figuras significativas de autoridade, obtendo a aprovação dos mesmos.

Entretanto, mesmo pequenas crianças deixam de cumprir algumas normas instituídas por pessoas significativas. O que leva a esse tipo de conduta?

Se o amor e o medo são fundamentais, não são os únicos sentimentos necessários. Passemos a confiança. A confiança se constitui num sentimento complementar ao de amor e medo, relacionando-se a confiança na figura de autoridade.

Esse terceiro sentimento é fundamental no desenvolvimento da moralidade, visto que, em função de ainda estar na heteronomia, a criança precisa confiar nas qualidades morais das pessoas para que possa adotá-las em sua vida.

Dessa forma, quando meu filho se jogar no chão e fizer a maior birra do mundo, eu devo evidenciar que aquilo não pode ser feito, desaprovando sua conduta, a partir da explicação do porquê ela não é adequada. Também tenho que lembrar que preciso ser um exemplo para ela, visto que isso é necessário para que ela possa confiar em mim e nas regras que instituo para ela (nesse caso não vale o ditado: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço).

Certamente, por sentir por mim amor, medo e confiança ele irá, pouco a pouco, abandonando as birras. Se isso não acontecer, antes de ameaçá-lo de abandono, devo me perguntar: será que estou sendo para meu filho alguém capaz de despertar nele tais sentimentos?

É muito mais a resposta a essa pergunta que me ajudará na resolução dos problemas do que as usuais ameaças de deixá-lo sozinho em qualquer lugar. Assim, para pôr fim as birras infantis devemos percorrer o caminho do amor e não do abandono.




domingo, 24 de junho de 2012

Entrevista com a Dra. Margarida Antunes


Durante esses cinco meses e meio de vida do meu pequeno/grande Tom tudo foi muito intenso: o amor, as alegrias, as conquistas e, até mesmo, os aperreios. De todas as preocupações, sem dúvidas, a maior delas foi o refluxo que acompanha meu pequeno até hoje e que é, para nós, motivo de muito cuidado e preocupação.
Regurgitar além da conta não é um privilégio do meu filho. Milhares de crianças têm esse problema, deixando pais e mães sem ter o que fazer. Para esclarecer questões relacionadas ao tema, o blog A VIAGEM DE UMA MÃE entrevistou a médica gastropediatra Margarida Antunes, que acompanha o Tomaz desde 20 dias de vida.
Sem dúvidas ela é uma peça fundamental na melhora dele, ajudando toda a família a lidar com essa dificuldade, orientando-nos, acolhendo-nos e medicando o Tomaz para que cada dia ele fique um pouco melhor.
Se comparado com o início do problema, posso dizer que ele já apresentou uma evolução de 90%. Que felicidade, não é?!
Dra. Margarida, sem dúvidas, merece nosso reconhecimento, gratidão e, sobretudo, nossa confiança.

A VIAGEM DE UMA MÃE – Por que uma criança tem refluxo?
MARGARIDA ANTUNES – Um bebê?
A VIAGEM DE UMA MÃE – Isso.
MARGARIDA ANTUNES – Faz parte do desenvolvimento ter refluxo. O refluxo em si não é uma doença. O que pode acontecer é que algumas crianças que tem refluxo podem ter comprometimentos secundários a esse fato de estar voltando a comida. Mas o crescimento, nessa faixa etária do bebê, faz com que eles precisem comer muito pra um estômago que ainda é imaturo. Isso porque eles estão crescendo muito rápido. É fase de crescimento mais rápida da vida e o estômago ainda é imaturo. Aí esse descompasso faz com que a natureza organize eles, colocando para fora o que há de excesso. Isso é uma regulação da natureza, não é uma doença.

A VIAGEM DE UMA MÃE – As crianças com alergia à proteína do leite de vaca possuem mais possibilidade de ter refluxo?
MARGARIDA ANTUNES – O refluxo é um dos sintomas que podem ser secundários a alergia à proteína do leite de vaca. É muito comum crianças pequenas, com alergia à proteína do leite de vaca, terem o refluxo como manifestação. Mas não é simplesmente o refluxo. Elas têm outros sintomas junto com o refluxo.
A VIAGEM DE UMA MÃE – No caso de Tomaz que se engasgava?
MARGARIDA ANTUNES – Esse é um sintoma que a gente precisa avaliar com cuidado. Tanto ele pode representar uma coisa muito simples, até uma coisa mais complexa. Desde uma desadaptação com o bico da mamadeira; uma dificuldade em coordenar a respiração com a deglutição, que pode levar ao engasgo; até uma pega que não está muito adequada do bico; a posição da mamada... Tudo isso precisa ser visto, porque pode dar engasgo. Por outra partida, quando o estômago da gente está doente, com alergia, por exemplo, ele fica trabalhando de uma forma mais atrapalhada, e aí você pode ter o engasgo também. A gente tem que ter muito cuidado na hora de avaliar esse engasgo. Tem que avaliar a criança como um todo.  

A VIAGEM DE UMA MÃE – Qual a previsão de idade para a criança melhorar do refluxo? Uma criança que regurgita muito, que golfa em todas as mamadas, quando melhora?
MARGARIDA ANTUNES – Geralmente é por volta do fim do primeiro ano de vida. Normalmente ela melhora muito no sexto mês, mas ainda golfa um pouquinho até o oitavo, nono mês. Isso depende muito da criança. Se for mais gulosa, demora mais tempo.

A VIAGEM DE UMA MÃE – Uma alimentação mais consistente ajuda a diminuir o refluxo?
MARGARIDA ANTUNES – Ajuda! Ajuda porque tanto ela diminui o volume de líquido que a criança toma, quanto o fato da criança ter que amassar a comida com a boca, fazer movimento mastigatório, vai fazendo com que a movimentação do esôfago se organize de forma mais madura e isso melhora o refluxo. Então essa transição para dieta sólida é importante.


Mais informações sobre o assunto podem se encontradas aqui em post anteriores como  no Conhecendo o problema, onde eu falo sobre refluxo e suas características e Tratando o refluxo, no qual o foco são ações que contribuam para melhoria e superação do problema. 


Hoje Tomaz está bem melhor. Sem dúvidas, essa informações foram fundamentais. 

sábado, 23 de junho de 2012

Eu cresço e o cardápio amplia


Gente, o Tomaz está crescendo mesmo! Não apenas de idade, mas, sobretudo, de tamanho literalmente. Todos os meses, na consulta de rotina do Tomaz, eu saia de dentro do consultório dilacerada, pois a médica sempre me chamava atenção porque o pequeno nem engordava o que devia e, muito menos, crescia. 
Ver a curva de desenvolvimento do Tomaz era, para mim, sempre um motivo de preocupação, pois o que todas nós desejamos é que nosso filho alcance os padrões de normalidade e, no quesito peso/tamanho, Tomaz ficava muito de fora. Tudo bem que ele nasceu prematuro e, com isso, seu peso e tamanho não eram compatíveis com os desejados, mas nem isso minimizava meu desejo de ver meu filhote grande, gordo e feliz.
Eis que chega o fatídico dia da consulta de 5 meses e as coisas começam a mudar de figura. O pequeno (que já nem é mais tão pequeno assim) cresceu 4,5cm e engordou perto de 900g. Caramba, filho, esse mês você fez a lição de casa direitinho. Agora os dados são: 6955kg e 64,5cm... Estamos quase lá!
Se agora vocês estão em dúvidas se ele alcançou o desejável na curva de desenvolvimento vou logo afirmando que não, mas o motivo dessa minha felicidade radiante é que ele avançou demais nela e, se Deus quiser, em poucos meses meu gordo (sim, agora é gordo) chegará lá!
Agora tudo mudou de figura: ele cresceu, engordou e, com isso, conquistou um novo cardápio (na minha opinião bem mais gostoso que o de antes restrito a fórmula semi hidrolizada sem proteína do leite de vaca. Agora quero ver na opinião dele se o cardápio será aprovado)  para seus dias, permitindo que a gente tente, invente, faça uma refeição diferente (é, eu assisto Rede Globo).
A partir de então o pequeno/grande Tom poderá comer um montão de coisas novas. As frutas que eram apenas maçã, banana e pêra (sempre cozidas), passaram a se juntar ao mamão, à pinha, à atemoia (nunca comi isso, nem sei o gosto que tem), ao melão, à melancia,  à goiaba, à pinha, à ameixa e ao sapoti. O detalhe é que como ele está GRANDE, pode comer todas elas cruas e amassadas, não é mais necessário cozê-las.
Junto com as frutinhas também foi liberada uma espécie de vitamina, na qual bateremos no liquidificador o leite que ele já toma, com uma fruta qualquer da listagem acima. Minha dúvida grande é se depois de tomar o leite com frutas, que deve ser bem mais saboroso, será que ele vai tomar leite puro? Tenho minhas dúvidas.  
Além das frutas, seu lindo e saboroso cardápio conta agora com as refeições salgadas. Como sugestão da chef Margarida Antunes (sua gastropediatra) o prato poderá ser ENSOPADO DE CARNE OU GALINHA COM LEGUMES. A receitinha dessa nova iguaria é:

INGREDIENTES:
- 01 pedaço pequeno de frango, carne de boi, carne de bode ou miúdos de frango.
- Oléo de Girassol para refogar.
- Legumes e folhas: Inhame, fruta-pão, jerimum, abobrinha, mandioquinha, chuchu, beterraba, couve-flor, couve-folha, espinafre e brócolis.
- Sal (pequena quantidade)
- Coentro

MODO DE FAZER:

- Refoga a carne com o olho de girassol, o coentro e pouquinho sal.
- Acrescenta dois legumes da lista acima e uma folha.
- Cozinha tudo junto.
- Retira o frango ou a carne e bate com um pouquinho do caldo no liquidificador.
- Amassa os legumes com o garfo.
- Junta a carne liquidificada aos legumes.

OBS: não liquidificar os legumes.

Outra forma de preparar os alimentos nos foi ensinada pela Dra. Niedja Siqueira. Segundo a pediatra do Tom a PAPA DE LEGUMES (ela não chamou de ensopado) poderia ser preparada da seguinte forma:

INGREDIENTES:
- Legumes (cenoura, batata, chuchu, abóbora, beterraba, jerimum, inhame)
- Folhas Verdes
- Arroz ou lentilha
- Carne ou Frango

MODO DE FAZER

- Escolhe dois vegetais, uma folha, frango ou carne.
- Cozinha tudo junto até amolecer a carne ou o frango.
- Machuca os vegetais, as folhas junto com o caldo da carne.
- Após retirar do fogo, acrescentar uma colher de chá de azeite.
- Não utilizar peneira nem liquidificador.


Para introduzir esses alimentos novos valem todas as dicas que ela já tinha dado anteriormente e que foram postadas aqui no texto publicado no post Come, come, come pra mamãe ficar feliz .
Com relação a alimentação, tudo tem dado bem certo com ele (embora não seja simples nem fácil). A vitamina ele tem gostado muito. Já tomou de banana (que foi a única que ele fez careta), ameixa fresca e ameixa seca (Ele estava com prisão de ventre e essa vitamina foi um santo remédio). A sopinha, nem se fala... Ele tomou um pratão e ainda queria mais. Foi muito legal introduzir esses alimentos. Teve muita careta, muita sujeirada, mas, sobretudo, muito crescimento. 


Com seis meses a refeição do Tomaz vai mudar mais ainda: entrarão o arroz, o feijão e o macarrão (sem ovos), só que agora não será mais como sopa, e sim como almocinho mesmo.  Sobre essa nova fase eu postarei mais para frente, assim que as orientações nos forem melhor repassadas.
Por enquanto o pequeno/grande Tom vai se deliciando com o que tem, o que, diga-se de passagem, já é muita coisa.
  

  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sou a favor da vida!


Ontem eu estava andando na rua indo ao trabalho quando me deparei com uma banca de jornal onde estavam expostos os jornais da nossa cidade. Na capa do Diário de Pernambuco estava o tema do novo código penal, onde, de forma destacada, se trazia esclarecimentos sobre um tema polêmico: O ABORTO.
Me chocou quando eu vi a nova regulamentação sobre o tema afirmar que o aborto não será considerado crime se a gravidez for interrompida até a 12ª semana de gestação e a mãe comprovar que não tem condições psicológicas de levar a gravidez adiante.
Peço desculpas a quem for a favor do aborto, mas ler isso me deu um mal estar profundo, sobretudo porque me lembrei da minha gestação e do quanto Tomaz já era um bebê bem formado e cheio de vida com esse tempo. Isso pode ser comprovado pelos vídeos de suasultrassonografias: Se o que eu via e ainda vejo (porque filmei todas) naqueles momentos não for vida, muita vida, eu não sei mais o que é isso. O coração dele batia (desde a sexta semana e não só após a 12ª) e a minha vida se enchia de mais vida com os batimentos que podem ser ouvidos no vídeo abaixo.





Gente, não dá para não se indignar! Não dá para achar que essa visão é justa, afinal, interromper uma gestação com um bebê todo formadinho dentro da barriga é pôr fim a uma vida que existe e, nesse caso, não consigo pensar diferente: é crime sim!
Realmente tenho muita dificuldade em compreender que por ausência de condições psicológicas (O que é isso mesmo? Há alguma regulamentação para isso?) Alguém possa por fim a uma vida que nem condições de se defender tem. Quem vai assumir, por alguns momentos, o papel de Deus e tomar a seguinte decisão: a mãe tem ou não condições psicológicas?
Se não tem condições psicológicas, financeiras, sociais, ou de qualquer outra ordem, podemos e devemos evitar a gravidez (cada cidadão e o governo são responsáveis por isso). Mas depois que ela existe... que a vida se formou, abortar, para mim, é tão crime como qualquer outro tipo de assassinato, sobretudo porque nesse caso o bebê tem condições de sobreviver (que não é o caso da gravidez anencéfala, nem coloca a vida da mãe em risco. Falta apenas a mãe condições psicológicas... isso é demais).  
É por isso que me recuso e me recusarei sempre a aceitar isso, mesmo sendo contrária ao código penal. Talvez agora, como essa determinação, seja legal abortar. Entretanto, em qualquer ordem, não posso achar que tal ato seja moral (para mim a moralidade está acima de qualquer lei).

Sou a favor da vida e vou ser sempre, seja ela com 1, 2, 12 ou mil semanas de vida! Serei sempre uma defensora de muitas viagens de mãe, o que necessita de muitas viagens de filho. Que cada vez menos pessoas abortem e possam vivenciar a maravilha que é ser mãe! Que pena que nem todos enxergam que isso é um privilégio!